quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Café Europa: Emissão #99, de 2 de Dezembro de 2013

01. CAMERATA MEDIOLANENSE - "99 AltriPerfecti"(IT)
02. Ô PARADIS - "Sopla!"(ESP)   
03. BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL - "Love Of the Father"(USA)  
04. OSTARA - “Debt On Credit”(AUS)
05. OSTARA - “Paradise Down South”(AUS)
06. OSTARA - “Darkness Over Eden”(AUS)
07. OSTARA - “Heart On The Rock”(AUS)
08. OSTARA - “Garden Of The Rain”(AUS)
09. OSTARA - “Silent Symphony”
10. REGARD EXTREME - "Amour TeVolerai"(FRA)
11. DERNIERE VOLONTÉ - "Les Orages Du Crime"(FRA)   
12. STROMFÄGEL - "Halesong"(SWE) 
13. OSTARA - “Story Of Lament” (AUS)
14. OSTARA - “Vagrant Heart” (AUS)
15. OSTARA - “Black Hole Of Light” (AUS)
16. OSTARA - “Wreath Made Hollow” (AUS)
17. OSTARA - “Dark Romance” (AUS)
18. OSTARA - “Lone Wolf Cry” (AUS)
19. OSTARA - “Havamal” (AUS)
20. COTARD DELUSION - "Ruins Of Culture"(PT) 
21. KOKORI - "Ashcending” (PT)  
22. ERMO - "Pangloss” (PT) 
23. HEKATE - "Idelia” (GER) 
24. THE BLUE HOUR - "The Night Is Windless” (USA) 
25. ORDO EQUITUM SOLIS - "Never Read Book)"(IT)   
26. ROMA AMOR - "Love To Say Goodbye For” (IT)

OSTARA “Paradise Down South”
Soleilmoon CD 2013

Muito se passou desde que Richard Levy sob o nome OSTARA lançou o seu último disco de originais, “The Only Solace”, em 2009. Mundialmente, todos sabiam que um buraco maior que o da camada de ozono, tinha sido aberto nas finanças mundiais, e que tempos negros se aproximavam com a ferocidade de um tornado de dimensões apocalípticas. Assim aconteceu e os efeitos do choque não nos abandonaram. A indústria da música vive das boas cores nas faces dos compradores e quando essa mesma indústria absorve toneladas de ouro para as suas estrelas de plástico com saltos de meio metro e olhar vítreo de manequim de montra, pouco sobra para os que ainda são capazes de algo fazer em nome da Musa e das Divinas Artes.

A poesia e a beleza melódica foram sempre apanágio descritivo da obra de Richard Leviathan, desde os tempos dos STRENGTH THROUGH JOY até ao já referido “The Only Solace”. Leviathan, quer se goste dele ou não, tem sido um dos mais hábeis obreiros e wordsmiths do fenómeno neofolk, eivado da substância powerpop que por seu lado sempre condimentou os álbuns dos OSTARA. Em 2009, “TheOnlySolace” era um bem-vindo sopro de frescura numa carreira que parecia algo encalhada, após uma boa ideia semi-fracassada - o terceiro álbum de 2003, “Ultima Thule” - e uma má ideia soberbamente executada, neste caso, o excessivo duplo álbum de 2005 “Immaculate Destruction”, um disco com boas canções, recheadas, como a um peru de Natal, com riffs e malhas hard rock sofisticadase uma superprodução que parecia querer empurrar demasiado depressa o nome dos OSTARA para uma ribalta mainstream que não condizia com a ética artística de quem tinha criado “Secret Homeland” e “Kingdom Gone”.

“The Only Solace” traduzia um estado de espírito que numa espécie de acto de contrição, restabelecia os níveis de credibilidade de Richard Leviathan junto da quase exigente comunidade neofolk internacional, que de uma forma bastante significativa, registou esse excelente regresso à forma num momento em que tudo parecia começar a desmoronar-se – bem vistas as coisas, o final da primeira década do século XXI têm o sabor amargo de uma grande depressão, como se todos esses dez anos tivessem sido em vão, como se a humanidade, após os acontecimentos que mancharam indelevelmente a tal aurora de esperança para o futuro, nunca mais tivesse encontrado os bons espíritos com que aparentemente tinham saudado a chegada do ano 2000. Estamos em 2013 e esse fantasma negro ainda não se dissipou sobre as nossas cabeças. E todos conhecemos a origem da maldição…

“Paradise Down South”, ao contrário da humildade de “The Only Solace”, parece ter ganho fôlego ao longo dos iguais quatro anos que levou a nascer. E, contudo, não é um disco marcado pelo ódio ao país onde se originou a tal mancha que alastrou globalmente (a julgar pelo modo como Leviathan pontua o tema “Darkness Over Eden”:
I must confess to you I simply Love America, despite the ugliness and everything about you we despise…”).
O disco começa com a enérgica “Debt On Credit”, um tema cujo título fala por si, embora não necessariamente compaginado com o cânone OSTARA, mas não sem, durante mais de cinco minutos, o que não é comum num tema de abertura, alicerçar uma nova esperança para dias vindouros. Como se quisesse estabelecer uma ponte com o passado, remetendo o verdadeiro início deste novo trabalho para os temas seguintes. São temas fortes os que lhe sucedem, e tanto o tema título como o magnífico e já citado “Darkness Over Eden” parecem estabelecer uma nova norma e um novo padrão na forma OSTARA – doravante não haverá mais barramentos estilísticos em nome de qualquer corrente filosófico ou ideológica, ou por esse mesmo motivo, a vontade de os quebrar com aparentes dessacralizações (vide “Immaculate Destruction”).

Os arranjos são por demais intensos e, com a produção suave mas bem definida de David Lokan com o próprio Richard Leviathan, ajudam à estimulação pop do ouvinte – não mais poderá o nome OSTARA estar alinhado com qualquer sombra do passado épico darkfolk dos STRENGTH THROUGH JOY. O triângulo sonoro voz-guitarra-teclas é a chave constante do encanto deste álbum, com especial ênfase para os teclados que conferem o contraste evidente às permanentes digressões vocais de Richard.
No entanto, existem sempre os perigos dos longos alinhamentos que o formato CD permitiu há já mais de trinta anos – um disco de cerca de uma hora, não tendo mesmo a intenção de ser um duplo LP conceptual, caso fosse lançado em vinil, acaba invariavelmente por começar a cansar o ouvinte, sobretudo quando existe uma componente estilística tão forte como a de Richard Leviathan.

Não quer isto dizer que se trata de composição bidimensional, o que nunca foi o caso dos OSTARA. Mas talvez por isso mesmo, Leviathan segmentou bem este seu novo trabalho – seis temas novos garantem a solidez na construção da ideia de álbum e ao sétimo tema descansa, com a reposição de “Story Of Lament”, uma faixa repescada do injustamente malfadado “Immaculate Destruction”, aqui retratado ainda mais suavemente, como um esboço à posteriori do que deveria ter sido o espírito daquele trabalho.

Para trás ficam canções como “Heart On The Rock” e “Garden Of The Rain”, suaves e vagamente reminiscentes da brisa lírica que dourava os ares de “Secret Homeland”, especialmente a segunda, e também “Silent Symphony”, mais rápida mas também mais radio-friendly, a fazer ver que Leviathan na sua juventude não terá só ouvido The Church, The Go-Betweens ou Triffids, mas também a sua boa dose de REM.

No entanto, e após esta breve memória, retoma, e bem, o decurso de “Paradise Down South”, com dois temas absolutamente inesquecíveis, conferindo-lhe um cunho simultaneamente cíclico e simétrico tal como acontecera nos minutos iniciais – são eles “Vagrant Heart” e o belíssimo “Black Hole Of Light”, que com “Darkness Over Eden”, constitue mos picos da cordilheira de canções mais memoráveis de “Paradise  Down South”. 
“Wreath Made Hollow”, o tema 10, inicia-se com uma das habituais teias de guitarra e voz, lentas e ascendentes, e as linhas “No Beauty Without Truth and No Glory Without Grief”, que de certa forma vão ao encontro das três divas dos anos 20-30 que discretamente se insinuam na contracapa, Marlene Dietrich, Anne MayWong e, claro está, Leni Riefenstahl, tema que está de certa forma ligado ao seguinte, “Dark Romance”, que também conta com a participação de Douglas Death in June Pearce nos E-bows.

O novo álbum está quase no fim e podia mesmo acabar aqui, a caminho de concretizar mais uma confirmação para os OSTARA – a de que ainda não estão em baixo e que não podem ser nem esquecidos nem ignorados no texto global da música popular moderna. Se uma vantagem a sociedade de informação voraz trouxe à humanidade é a descoberta quase instantânea e total de um qualquer fenómeno sociocultural. Talvez ainda não seja tarde para o movimento neofolk fazer ver ao mundo as suas razões – e ironia das ironias, foram as armas dos seus principais detratores a contribuírem para a sua massificação!

“Lone Wolf Cry” é breve e talvez o momento mesmo mais fugaz do álbum que fecha com uma melopeia nórdica, “Havamal”, texto da tradição odínica, com música de Kyron Lazarus, mas que soa estranhamente a um ritual índio americano. É com este sinal de estranheza religiosa e histórica que “Paradise Down South” fecha.

Quatro anos passaram, quatro longos anos de crise mundial e sobretudo europeia e a sul. O paraíso cá no sul não se fez sentir de modo algum e nem assim acontecerá na próxima década – resta-nos a única consolação de podermos ainda ouvir canções dos OSTARA, projecto musical de um australiano que já viveu e trabalhou em vários países europeus mas que gravou todo este novo disco em Adelaide, no sul da Austrália. Decididamente, um outro Sul mais a Norte.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Café Europa: Emissão #98, de 25 de Novembro de 2013

01. DEATH IN JUNE - "Many Enemy Bring Much Honour (Der Blutarsch cover)" (GB)
02. DEATH IN JUNE - "Murder Made History" (GB)
03. OSTARA - "Dark Romance" (AUS)
04. OSTARA - "Lone Wolf Cry" (AUS)
05. EMPYRIUM - "Der Weiher (live)" (GER)
06. STURMPERCHT - "Die Dreizehnte Percht" (AUT)
07. ALLERSEELEN- "Jede Welle" (AUT)
08. ÀRNICA - "Piel de Tambor" (ESP)
09. ÀRNICA - "Marchando Al Albor" (ESP)
10. DIE STREUNER - "Des Geyers Schwarzer Haufen" (GER)
11. TEARS OF OTHILA - "Mountains"( IT)
12. OF THE WAND AND THE MOON - "Shall Love Fall From You" (DIN)
13. THOMAS NOLA AND THE BLACK HOLE - "Solstice Canyon" (USA)
14. THE GREEN MAN - "Horus Calling" (IT)
15. THE LINDEBERG BABY - "Northen Skies’" (USA)
16. STYDWOLF - "Wir Ruffen Deine Wölfe" (NED)
17. STEIN- "Leb’ Wohl" (GER)
18. JARBOE - "The Conduit (Theme ii)" (USA)
19. ROME - "The Fever Tree" (LUX)
20. ONIRIC - "Nirvana (You Make Me Sick)" (IT)
21. EGIDA AUREA - "Epifania Di Una Chimera" (IT)
22. CALLE DELLA MORTE - "Senso” (IT)
22. CALLE DELLA MORTE - "Bambolina (demo version)"(IT)
23. CALLE DELLA MORTE - "Senso Fare Rumore (live)” (IT)
24. HORUS CHAMBER - "Seizing The Fires" (PT)
JARBOE

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Entrevista com THOMAS JEFFERSON COWGILL "KING DUDE"

A nossa conversa com KING DUDE – THOMAS JEFFERSON COWGILL, relembrou o início da sua carreira no início deste século enquanto músico de metal, nomeadamente num projecto de black metal the book of black earth – quisemos saber como é que o próprio entende a ligação que quase imediatamente se estabelece entre esses primórdios e o género que actualmente toca. Thomas não o entende dessa forma e renega até um pouco da remota possibilidade de, só pelo facto de ter sido em tempos um músico de metal, agora vai obter a simpatia e a preferência do público de metal. E ao atalharmos por esta questão, KING DUDE admite mesmo que já pensou seriamente no caso. Quando começou a tocar neste novo projeto, receou um pouco que os seus comparsas o achassem um pouco fora, e durante cerca de dois anos manteve-se num relativo anonimato, assumindo que não gostassem …
Para nós café Europa essa questão assume mesmo um papel muito importante, uma vez que, para além de acharmos que o bom ouvinte de música entende sempre a boa música, seja ela qual for, o facto é que partimos à descoberta dos sons do concerto da noite esperando uma maior influência mesmo que indirecta do folk rock americano do final dos anos 60 e início de 70, e somos confrontados com algo completamente diferente, uma espécie de redefinição eclética de tons rock and roll anos 50 com country folk de negro vestido, fazendo a ponte com o que poderia ser o lado obscuro da música folk americana dos nossos dias, fazendo dele um pioneiro de algo inédito, apesar de usar referências e artefactos que se podem enquadrar num figurino tradicional. Thomas avança a ideia de ser mais um ponto de referência que serve como âncora, mesmo que às vezes só visualmente, com as guitarras eléctricas em contraponto com a tal bandeira americana tingida de negro. Conceptualmente, seria um pouco como imaginar a passagem dos anos 50 para os 60, imaginar o liberalismo exacerbado decorrente do movimento hippie a suscitar na música uma contracorrente tão forte como o satanismo de Anton LaVey, e toda a influência que este teve na música americana dos anos posteriores – concretamente nos anos 90 -; só que KING DUDE gostaria de imaginar de novo os anos 50 num mundo em que o luciferianismo (na senda da Luz e da consequente realização da vontade individual) teria mesmo influenciado nomes como Roy Orbison e Johnny Cash, e toda essa música inicial, mais simples e mais próxima de coisas como o doo-wop, que poderiam hoje em dia reabilitar esse mesmo espírito luciferino, na sua verdadeira acepção. Longe da brutalidade aparente do satanismo, mas uma coisa mais subtil – algo mais complexo, paradoxalmente mais próxima até dum certo cristianismo, na medida em que permite a intrusão da ideia do Bem e da crença num mundo bom. 
KING DUDE gostaria de trazer para a frente uma visão inteligente do gnosticismo, uma crença que é sua e que deveria ser aplicada à música, dentro de uma tradição musical que ele não viu acontecer, o que pode também ser bastante complexo de fazer. Concorda que na altura em que toda esta conjugação gnóstica na música popular se concretizou, estava envolta numa capa comercial que teve um grande impacto no público geral, e que na altura não terá havido tempo para ler nas entrelinhas – todos esses músicos e cantores que tinham algo que os ligava ao lado obscuro, mas que contudo guardavam uma espécie de imagem angélica, como o grande Roy Orbison. KING DUDE sublinha o carácter obscuro da sua aura, e a singeleza enigmática da figura de Orbison, que considera trágica, em consequência dos acontecimentos que ensombraram a sua vida entre 1966 e 68, mas apontando que esse traço moldou a sua imagem negra. Os anos 50 foram uma tão sensacional época na América que os princípios luciferinos, que por vezes foca nas suas canções, reflectem um pouco desse brilho, a sua plenitude, com um pouco de negro aqui e ali mas ainda é música dos fifties. Na sua mente consegue ajustar a sua influência nas décadas seguintes, ou como se manifestaram nos anos seguintes na música rock e afins; e é com esse princípio que tem adaptado estilisticamente a sua música.
De volta à conversa sobre os discos de KING DUDE, revela-nos que tem material planeado até 2015 – conteúdo e imagem, tudo calculado, mas há também espaço para alguma mutação, caso fosse necessário. Fala-nos de dois próximos álbuns, um que já está feito e que deverá sair na Primavera, e outro que está presentemente a ser gravado e que deverá sair já em 2015, de acordo com a agenda delineada para a banda. Ainda no domínio das influências gerais do som de KING DUDE, quisemos saber se já nessa altura estavam ao corrente da cena europeia do dark folk, do industrial ao marcial-ambiente; paradoxalmente THOMAS COWGILL admite que nem por sombras – no início, apenas pretendia fazer qualquer coisa vagamente aparentado com a cena tradicional folk britânica, ou então uma ou outra canção pop-rock desajeitadamente a fazer lembrar Kinks. Quando um dia tocou para uma amiga e ela lhe disse que as canções lhe faziam lembrar Current 93 e Death in June, THOMAS ficou sem saber a quem ela se referia e passou a investigar, descobrindo quão importantes esses grupos foram para a música dos anos 80 e 90. 
Em 2005, e tendo já trabalhado em lojas de discos, não compreendia como nunca tinha prestado atenção – já ouvira outros grupos semelhantes, por vezes demasiado polidos e outras bem mais estranhos, mas não sabe como nunca descobrira os grupos atrás mencionados. Depois de começar a escrever canções, passou a ouvi-los de modo diferente e foram uma enorme influência inicial. Mas é estranho porque não cresceu com eles e fez a sua abordagem como um forasteiro, não fazendo a mínima ideia sobre as suas filosofias e orientações, o tipo de fãs que os ouvia, etc. E mesmo assim manteve-se suficientemente distante dessa cena, gostando de permanecer um outsider em relação ao dictat de uma corrente, uma vez que pode ser altamente prejudicial para o processo de escrita de alguém que se quer muito envolvido no processo. Não se preocupar muito com o que os fãs pensam disso, de modo a evitar qualquer contaminação de modas, ou o que os seus pares acham disso, porque tudo isso é um lugar tóxico para se escrever música. E acima de tudo, estar-se nas tintas para o que os pares pensam, ou se tiver mesmo de ser, pelo menos fazer o possível por chateá-los a sério. Ciente do risco de se parecer mais um que saltou para o comboio já em andamento, THOMAS KING DUDE afirma isto com a noção de que é forçoso resistir à homogeneização da música, às regras que são impostas pelos pares, pela cena, quer sejam políticas ou outras, porque são sempre destrutivas Sobre o novo álbum THOMAS COWGILL, adiantou-nos que se chamará “Fear” e apresenta-nos os KING DUDE, na mesma ótica de progressão de que nos falava há pouco, numa passagem estética dos anos 50 para os 60, isto é, com uma sonoridade mais rock & pop antiga, não a da actualidade, em que a aparência superficial soa agradável, como os Beatles e os Rolling Stones, mas segregando uma corrente subterrânea que será assustadora, aliás, este deverá ser o disco mais assustador e desconfortável alguma vez gravado pelos KING DUDE, capaz de extrair da mente do ouvinte as projecções mentais mais intensas e espevitar os seus mais recalcados receios. Levou-lhe bastante tempo a figurar como é que havia de alcançar este resultado – a ambivalência entre um som agradável e feliz e o outro lado, só se pode descobrir se escutar-se de forma especial e certa… o disco vem com instruções quase rituais para se ouvir correctamente, as quais devem ser cumpridas com exactidão para se sentir o efeito total dessa experiência que pode alterar a consciência. Mas pode também ser um disco que se põe a tocar e se ouve com prazer, ou pela rádio – ninguém poderá realmente pensar a priori que é assustador… 
THOMAS acha que apesar desse aspecto, o novo álbum de KING DUDE não vai ter mesmo assim tanto ou nenhum apelo mainstream: “ Obviamente que não – ainda seria eu por detrás de tudo, e não me vejo a colocar as coisas como as outras bandas o fazem. Será um som mutante mas que mesmo assim terá sempre ressonâncias agradáveis – uns ouvi-lo-ão de acordo com as instruções, outros naturalmente, tal como quiserem!” Mesmo assim haverá decerto uma frincha para o ouvinte conhecedor do mainstream, que poderá divisar a riqueza estilística e conceptual, e identificando-os com qualquer outro clássico. Da parte da banda nunca foi pensado ser um disco para atingir um público mais vasto; apenas fazê-los passar um momento inesquecível de música, de maneira a que sintam melhor depois da audição, mesmo que com uma sonoridade subliminal perturbante. E depois que o possam transmitir aos seus amigos para que o possam também experimentar. A música é um veículo privilegiado para ligar os espíritos de modo a que se possa comunicar em termos mais elevados. É muito poderoso e eu sei que as pessoas de modo geral retiram esta conclusão e ligação; pessoalmente sinto-me apenas como um vaso agente no processo – não que eu reclame muito crédito por aquilo que faço. Não há muito a dizer sobre as canções, trata-se apenas de canalizar a nossa comunicação com um espírito maior e através dele comunicar com outras pessoas. E nesse processo muitas coisas boas vão acontecendo, portanto não será por causa disto que eu vá desenvolver uma base ou clube de fãs…” KING DUDE ainda não é o rei e poderá muito bem não vir a sê-lo – pode é ser dono do seu castelo e ainda reunir um pequeno exército à sua volta. De resto, é a prova clara de que algo mudou na América que conhecíamos à distância…

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Café Europa: Emissão #97, de 18 de Novembro de 2013

01. ROY HARPER - "The Stranger" (GB)
02. BILL FAY - "Cosmic Concerto (life is people)" (GB)
03. DAVID E WILLIAMS - "Meine Schwester, die Kranken  Schwester" (USA)
04. DAVID E WILLIAMS - "Turn Off All The Very Hot Things(USA)
05. KING DUDE - "Into The Morrow" (USA)
06. KING DUDE - "Lucifer’s The Light Of The World" (USA)
07. Entrevista com KING DUDE
08. SOL INVICTUS  - "Mr Cruel" (GB)
09. SOL INVICTUS  - "Like God" (GB)
10. EMPYRIUM - "Where At Night The Wood Grouse Plays (live)" (GER)
11. LONSAI MAIKOV - "Parole Donnée (pour Lerda M)" (FRA)
12. GOLGATHA - "Icarus" (GER)
13. TRAUM’EN LEBEN - "Intro" (GER)
14. CORDE OBLIQUE - "Averno" (IT)
15. CORDE OBLIQUE - "Bambina D’Oro" (IT)
16. ROMA AMOR - "17.3" (IT)
17. STURMPERCHT - "Die Drei Eisheiligen" (AUT)
18. KLAMMHEIN - "Heimat" (GER)
KING DUDE


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Café Europa: Emissão #96, de 11 de Novembro de 2013

01. KING DUDE - "Please Stay (in the shadow of my grave) ("(USA)
02. KING DUDE - "Witch’s Hammer"(USA)
03. KING DUDE - "Don’t Want Me Still"(USA)
04. KING DUDE - "Eternal Night"(USA)
05. HORUS CHAMBER - "Omnibus"(PT)
06. HORUS CHAMBER - "Another Day (Roy Harper cover)"(PT)
07. ROY HARPER - "Heaven Is Here"(GB)
08. ANDREW KING - "The Raven Banner"(GB)
09. DAVID E. WILLIAMS - "Relapse (vocals by Andrew King"(USA)
10. OSTARA - "Ways To Stregth And Beauty"(GB)
11. STRENGTH THROUGH JOY - "Rosin Dubh"(GB)
12. WERKRAUM - "Song For Erik"(GER)
13. SANGRE DE MUERDAGO - "The Paths Of Mannaz"(GAL)
14. FORSETI - "Heilige Welt"(GER)
15. LUX INTERNA - "Nida"(USA)
16. CHELSEA WOLFE - "Fight Like Gods"(USA)
17. ROME - "The Demon Me"(LUX)
18. URFAUST - "Spiritus Nihilismus"(NED)
19. LEGER DES HEILS - "Geweihtes Land"(GER)
Horus Chamber

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Café Europa: Emissão #95, de 04 de Novembro de 2013

01. HEXVESSEL - "Masks of the Universe"(FIN/GB)
02. CHELSEA WOLFE - "They'll Clap When You're Gone"(USA)
03. KING DUDE - "In The Eyes Of The Lord"(USA)
04. KING DUDE - "Please Stay (in the shadow of my grave)"(USA)
05. KING DUDE - "Jesus In The Courtyard"(USA)
06. KING DUDE - "My Mother Was The Moon"(USA)
07. THOMAS NÖLA AND THE BLACK HOLE - "Let The Sun Shine In"(USA)
08. TERRA DAMNATA - "Dead Of The Night"(USA)
09. FAUN - "Tanz Mit Mir (Duett Mit Santiano)"(GER)
10. CLANNAD - "Tobaran tSaoil"(IRL)
11. ALTAIKAI - "Kalygym (My People)"(RUS)
12. CHIRGILCHIN - " My Melody"(RUS)
13. LUC ARBOGAST - "Terra Incognita"(FRA)
14. LONSAI MAIKOV - "Des Sillons De Lumiére"(FRA)
15. IGNIIS - "Un Nuevo Proverbio"(ARG)
16. IN SCHERBEN - "Das Neue Land"(GER)
17. IN SCHERBEN - "An Den Mond"(GER)
18. OLD VILLAGE - "Por Terras Pagãs"(POR)
19. NAEVUS - "The Plague"(GB)
20. NAEVUS - "Sail Away"(GB)
21. DAVID E. WILLIAMS - "Closet"(USA)
22. DARKWOOD - "Dream Of Flowers"(GER)
23. ORDO ROSARIUS EQUILIBRIO - "A Man Without War, Is A Man Without Peace"(SWE)
24. DER BLUTHARSCH AND THE INFINITE CHURCH OF THE LEADING HAND - ”A Terrible Place "(AUT)
25. DERNIÈRE VOLONTÈ - "Mon Meilleur Ennemi"(FRA)
26. KIRLIAN CAMERA - "Stranger In Abandoned Station (IT)
NAEVUS