segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Café Europa Radio Show #171, Café Europa apresenta: ROMA AMOR “Una Torbida Estate” Old Europa Cafe, 2015

01. MANI DEUM - "Infected Kittens" (GRE) (music for your local church...or your local brothel – 2011)
02. MANI DEUM - "The Cat And The Crow" (GRE) (music for your local church...or your local brothel – 2011)
03. ATARAXIA - "Where The Sea Turns Into Gold" (ITA) (ena – 2015)
04. ATARAXIA - "Le Nozze Di Yis" (ITA) (ena – 2015)
05. ROMA AMOR - "Una Torbida Estate" (ITA) (una torbida estate - 2015)
06. ROMA AMOR - "A Tus Besos" (ITA) (una torbida estate - 2015)
07. ROMA AMOR - "Battiti - Cuore Selvaggio" (ITA) (una torbida estate - 2015)
08. ROMA AMOR - "Lies" (ITA) (una torbida estate - 2015)
09. HYPERBOREI - "Summer Time" (ARG) (the invisible army – 2015)
10. NAEVUS - "Afters" (GBR) (perfection is a process – 2004)
11. ROMA AMOR - "Inverno" (ITA) (una torbida estate - 2015)
12. ROMA AMOR - "Mucho Mas Que Ayer" (ITA) (una torbida estate - 2015)
13. ROMA AMOR - "Cinderella" (ITA) (una torbida estate - 2015)
14. ROMA AMOR - "Der Treue Husar" (ITA) (una torbida estate - 2015)
15. EDO NOTARLOBERTI & VIVIANA SCARINCI - “Se Fosse Principio(ITA) (la favola di lilith – 2014)
16. EDO NOTARLOBERTI & VIVIANA SCARINCI - "Ora L’Intensità È Minore" (ITA) (la favola di lilith – 2014)
17. AEAEA - "Climb" (USA) (drink the new wine – 2014)
18. ANGELIC FOE - "Bewitching Lilith" (SWE) (mother of abomination – 2015)
19. ROMA AMOR - "Blau Blau Blau" (ITA) (una torbida estate - 2015)
20. ROMA AMOR - "Il Cuore" (ITA) (una torbida estate - 2015)
21. ROMA AMOR - "Amsterdam" (ITA) (una torbida estate - 2015)
22. ROMA AMOR - "Tu … Ancora Tu" (ITA) (una torbida estate - 2015)
23. SPIRITUAL FRONT - "No Kisses On The Mouth" (ITA) (no kisses on the mouth – e.p. – 2003)
24. INNER GLORY - "War Is Forever" (ITA) (war is forever – e.p. – 2002)


Una Torbida Estate”, dos ROMA AMOR, marca presença neste outono de 2015, pouco mais de um ano sobre o antecessor “On the Wire”. Ao que naquele havia de arrojo temático e sentimental, o novo ROMA AMOR responde com determinação e aprumo estilístico, com a saborosa confirmação daquilo que prevíamos na nossa conversa com o duo Euski-Candela em Leiria no verão quente e não nublado de 2013 – que com uma produção mais direcionada, o potencial musical do grupo poderia expandir-se muito mais que proporcionalmente. É o que foi conseguido neste “Una Torbida Estate” –  um primeiro trabalho de uma nova etapa na via dos ROMA AMOR, sendo já o seu quinto disco de originais, se excluirmos o mLP 10’’ “17-3, March17th”. “On the wire” foi o culminar de todo um percurso castiço e navegado entre hostes muito alternativas ou até divergentes – os ROMA AMOR nunca se perfilaram no movimento neofolk europeu, fortemente representado por bandas alemãs, no entanto, desde 2008 é documentada a sua presença em diversos eventos próximos daquelas paragens musicais e o mesmo se pode dizer em relação ao Entremuralhas, que sendo um festival nominalmente gótico, acolhe “gatos vadios” da nova música popular como os ROMA AMOR.
Voltando ao verão nublado deste novo álbum, retomando a ideia que existe, deveras, uma melhor orientação da produção, com o tema título de abertura, é de imediato gerada a sensação de um verão sulista, molhado e sufocante, musicalmente algures entre as melhores memórias australianas de ‘80, como os Bad Seeds de Nick Cave dos tempos de “Your Funeral My Trial” e os Triffids de “The Black Swan” – essa mesma dualidade entre sofisticação e desconforto, que se juntam para enquadrar melhor a temática que vai alastrar a todo o álbum. Os ROMA AMOR são mestres nessa construção de ambientes psicológicos que acusam a existência física das envolventes reais ou sonhadas e neste caso são heróis românticos, talvez das resistências políticas que mesmo assim se apaixonam por entre uma tempestade de verão. Com este mote de tal forma sedutor dos nossos ouvidos e aquele efeito mistério dado pelo som da chuva, será difícil ao ouvinte não se sentir motivado para a sequência.
Com ROMA AMOR, outro sentimento ao qual já nos habituámos é o da surpresa; os dois temas seguintes são de uma urgência confessional assinalável – “A Tus Besos” é em espanhol e faz por vezes lembrar a toada do austríaco Jurgen Webber e dos Novy Svet, enquanto “Batitti- Cuore Selvaggio” é mais canalha, mais canção de cantina, mais cabaret do povo, numa letra que fala de corações selvagens cuja batida só a respiração pausará, tudo interpretado com aquele languidez reativa a que Euski já nos habituou.
Esqueçamos portanto a linearidade previsível dos álbuns que, embora bem produzidos, têm um fito comercial – este decididamente não o tem. “Lies” é um tema de quase cinco minutos marcado por um ritmo obsessivo mas balanceado, por vezes algo industrial, que contrasta com o gingar do acordeão de Candela e com a voz rouca de Euski. É uma das duas canções cantadas em Inglês neste álbum, já que há também duas em Espanhol e ainda outra em Alemão, e ainda outra que se divide pelo italiano, inglês e alemão. É assim a versatilidade poliglota dos ROMA AMOR, sendo também um reflexo do evidente carisma europeu da sua música e poemas.
E chegados praticamente a meio do álbum encontramos “Inverno”, que nos entra pela casa adentro, com um som de violino verdadeiramente espectral que nos é de algum modo familiar – é claro que é Matt Howden que dá uma achega com momentos de autêntica invernia sonora, pontuado pelas palavras de Euski que anuncia a chegada da estação. Mas este inverno nada tem de agradável, do reconfortado desconsolo que faz dele uma estação para elitistas e misantropos. É uma carta esquecida e amarelada, como urina na neve, que motiva uma lembrança amarga e que faz aparecer o nome de alguém escrito nos vidros embaciados – e então, já não é só lá fora que chegou o inverno... O seguinte tema em Espanhol, “Mucho Mas Que Ayer”, é como que uma continuação de “A Tus Besos” e mesmo que, musicalmente, seja o primeiro momento relativamente indiferente, haverá motivo para não os confundir com uns quaisquer Vaya Con Dios da facilidade mercantil. As palavras balbuciadas por Euski sopesam o seu próprio receio por um amor perdido, descrevem o medo também pela vida do outro, num trecho simultaneamente confessional e obsessivo, que faz a ponte para o outro tema em Inglês “Cinderella For One Day”.
O título é uma piscadela de olho óbvia a um dos heróis de Euski – David Bowie. É quase pena que o tema seja tão curto em comparação com os anteriores. A “sujeita poética” pede apenas que a deixem ser Cinderella por um dia, numa declaração de submissão total que a faz andar de cá para lá, quase exausta, dormindo em comboios cujo silvo já só lhe relembra beijos. E de repente damos connosco a escutar Euski interpretando velhos tradicionais folclóricos europeus – a brilhante “Der Treue Husar”, em três línguas, de estrofe para estrofe (inglês, alemão e espanhol), e a lenga-lenga escolar alemã, “Blau Blau Blau”, que anteriormente tínhamos ouvido às gémeas norte-americanas Prussian Blue. Conhecendo a diametral oposição entre tão díspares universos femininos, só pode ser provocação – uma nursery rhyme do século XIX que fala do amor em todas as cores e que poderá funcionar como disclaimer relativamente ao seu verdadeiro sentido, já que se adivinhava, no mínimo, uma certa distorção política na versão das jovens Prussian Blue.
Chegamos assim ao último quarto de Um Verão Nublado – e mais uma vez podemos observar como dominam uma abordagem ao simbolismo microcósmico – o “Cuore”, o coração, é o centro do tema assim intitulado, com uma batida cardíaca que introduz o momento talvez mais atmosférico do álbum, embora bem marcado pelo ritmo dançarino no acordeão de Candela. É necessário não esquecer que este ainda é um disco com selo Old Europa Café, portanto tudo o que vier “out of the box” é simplesmente natural. E tão natural, tão com os pés na terra, que finalmente deparamos com a versão de “Amsterdam”, de Brel, a qual já lhes conhecíamos desde pelo menos Agosto de 2013 em Leiria, na edição desse ano do Festival Entremuralhas, onde a prestação do duo arrancou a alguns dos muitos presentes “Bravos” exaltados. Porque já não é uma surpresa, poderá não surtir aquele efeito de choque para os que a ouviram ao vivo, no entanto não retira absolutamente nem uma batata frita à ementa daquele marinheiro cujos dentes apodreceram demasiado cedo. Sem dúvida uma das melhores versões do eterno clássico, e vejam lá bem que nunca foi qualquer um que se aventurou a fazê-lo.
Chegamos ao fim. Falta um tema. Uma canção intitulada “Tu Ancora Tu”. Ouve-se o mar, ou talvez uma respiração, e um piano digno de Mick Talbot dos Style Council. Será a costela Style Council dos ROMA AMOR? É subjetivo, claro, mas estamos em crer que, a conhecê-los, Paul Weller haveria de gostar bem dos ROMA AMOR. É apenas um tema de fecho de cinco minutos, mas que absorve em si toda a carga nostálgica romântica do álbum, fenómeno atípico que por vezes é conseguido pela gente que tem deveras a mestria de fazer canções. Repetimo-lo – não é para todos, tornar aquilo que parece mais um simples apontamento segmentário numa espécie de fantasma de canção que se impõe, que se revolta no marulhar daquilo que pareciam ondas mas que, com a aproximação do fim, já se confunde numa trindade em que a respiração de alguém e a chuva lá fora parecem alargar o espectro poético e musical da canção, que não é mais que uma história de reencontros apesar de tudo - apesar de tudo! - até de verões nublados e chuvosos.
Os ROMA AMOR estão aí, de pedra e cal, fantásticos e rebeldes menestréis da canção Italiana. Continuam únicos, originais e no entanto todos os podem entender e mais, gostar deles. Lá está – paradoxalmente, não é para todos.

Texto: João Carlos Silva

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Café Europa Radio Show #170

01. HALGADOM - "Nebelwand" (GER) (halgadom & tears of othila - aeon of the hammer - split- 2015)
02. TEARS OF OTHILA - "Aeon Of The Hammer" (ITA) (halgadom & tears of othila - aeon of the hammer - split- 2015)
03. HAWTHORN (Matt Howden& Tony Wakeford) - "Beneath The May Tree" (GBR) (the murky brine - 2004)
04. IN GOWAN RING - "Field Of Dream" (USA) (the serpent and the dove - 2015)
05. MAGNA CARTA - "Fields Of Eden" (GBR) (fields of eden - 2015)
06. MARIANNE FAITHFULL - "Love Song" (GBR) (horses and high heels - 2011)
07. ROMA AMOR - "Amsterdam" (ITA) (una torbida estate - 2015)
08. LA PIETRA LUNARE - "Gurú" (ITA) (la pietra lunare - 2015)
09. COSMOS - "Pedras e Sange" (ESP) (bosques e.p. 7" - 2015)
10. JARBOE - "Reason To Live" (USA) (the men album - 2005)
11. ARGINE - "Blu Luce" (ITA) (umori d'autunno - 2010)
12. DAVID BOWIE - "Silly Boy Blue" (GBR) (david bowie - 1967)
13. 7 PM RITUAL - "Sun" (GER) (:08:16:02: - 2015)
14. BLACK TAPE FOR A BLUE GIRL - "She's Gone" (USA) (byke shop - e.p. - 2015)
15. DIES NATALIS AND FRIENDS - "Angels And Ghosts" (GER) (the phoenix contradiction - 2008)
JARBOE

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Café Europa Radio Show #169

01. SCORPION WIND - "The Path Of The Cross" (GBR/USA/AUS) (heaven sent - 1996)
02. BOYD RICE & FRIENDS - "Forgotten Father" (GBR/USA/AUS) (wolfpact - 2002)
03. DEATH IN JUNE & BOYD RICE - "Storm On The Sea (Out Beyond Land)" (GBR/USA/AUS) (alarm agents - 2004)
04. KNIFELADDER - "Born Under Fire" (GBR/AUS) (the spectacle - 2006)
05. AEAEA - "Climb" (USA) (drink the new wine - 2014)
06. AEAEA - "Drink The New Wine" (USA) (drink the new wine - 2014)
07. BLACK SUN PRODUCTIONS AND VAL DENHAM - "Absinthe" (SUI/GBR) (somewhere between desire and despair - 2009)
08. JOSEF DVORAK - "4" (AUT) (feat. fuckhead & der blutharsch and the infinite church of the leading hand - sous l'arbre de science - 2014)
09. JOSEF DVORAK - "3" (AUT) (feat. fuckhead & der blutharsch and the infinite church of the leading hand - sous l'arbre de science - 2014)
10. HARVEST RAIN - "Nightwave" (USA) (nightwave - 2015)
11. HARVEST RAIN - "The Needles Of God" (USA) (nightwave - 2015)
12. KING DUDE - "The Heavy Curtain" (USA) (song of flesh & blood- in the key of light - 2015)
13. SPLINTERSKIN - "A Bed Of Burning Leaves" (USA) (v.a. oak folk - 2010)
14. WALDTEUFEL - "Unter Eine Eiche" (GER) (v.a. oak folk - 2010)
15. TEARS OF OTHILA - "Whispers From The North" (ITA) (renassaince - 2008)
16. SANGRE DE MUERDAGO - "Mensaxeiro Do Pasado" (ESP) (o camiño das mans valeiras - 2015)
17. SANGRE DE MUERDAGO - "O Conxuro" (ESP) (o camiño das mans valeiras - 2015)
18. HAR BELEX - "Gernika" (ESP) (chandelle - 2014)
JOHN RUSSELL MURPHY
(July 11, 1959 – October 11, 2015)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Café Europa Radio Show #168

01. NATURE AND ORGANISATION - "Introduction" (GBR) (snow leopard messiah - reed.- 2015)
02. NATURE AND ORGANISATION - "Wicker Man Song" (GBR) (snow leopard messiah - reed.- 2015)
03. NATURE AND ORGANISATION - "Blood Of Solitude I" (GBR) (snow leopard messiah - reed.- 2015)
04. NATURE AND ORGANISATION - "Bloodstreamruns" (GBR) (snow leopard messiah - reed.- 2015)
05. CURRENT 93 - "The Final Church" (GBR) (swastikas for noddy - crooked crosses for the nodding god - reed. - 2015)
06. CURRENT 93 - "The Summer Of Love" (GBR) (swastikas for noddy - crooked crosses for the nodding god - reed. - 2015)
07. CURRENT 93 - "Beau Soleil" (GBR) (swastikas for noddy - crooked crosses for the nodding god - reed. - 2015)
08. CURRENT 93 - "After Tomorrow" (GBR) (swastikas for noddy - crooked crosses for the nodding god - reed. - 2015)
09. OF THE WAND AND THE MOON - "A Pyre Of Black Sunflowers" (DIN) (the lone decent - 2011)
10. HARVEST RAIN - "Coat Of Arms" (USA) (gentile peasantry - 2012)
11. HARVEST RAIN - "Nightwave" (USA) (nightwave - 2015)
12. THEODOR BASTARD - "Vetvi" (RUS)  (vetvi - 2015)
13. IN GOWAN RING - "Thousands of Bees" (USA) (the serpent and the dove - 2015)
14. IN GOWAN RING - "Julia Willow" (USA) (the serpent and the dove - 2015)
15. LUPERCALIA - "Tribe" (ITA) (florilegium - 2004)
16. VITTORIO VANDELLI - "My Heart As Dry As Dust" (ITA) (day of warm rain in heaven - 2004)
17. ROMA AMOR - "Lies"  (ITA) (una torbida estate - 2015)
18. ROMA AMOR - "Tu ... Ancora Tu!" (ITA) (una torbida estate - 2015)
19. SANGRE DE MUERDAGO - "O Camiño Das Mans Valeiras" (ESP) (o camiño das mans valeiras - 2015)
20. SANGRE DE MUERDAGO - "Xordas" (ESP) (o camiño das mans valeiras - 2015)
21. ALLERSEELEN - "Neunmondmesser" (AUT) (terra incognita - 2015)
22. ALLERSEELEN - "Flamme (2015)" (AUT) (terra incognita - 2015)
23. 7PM RITUAL - "A Shadow From The Past" (GER) (:08:16:02: - 2015)
24. ROME - "Der Wolfsmantel (Remastered)" (LUX) (anthology 2005-2015 - 2015)
25. ROME - "Reversion (Remastered)" (LUX) (anthology 2005-2015 - 2015)
ROMA AMOR

ROME 

sábado, 12 de setembro de 2015

Café Europa Radio Show #167 - No Festival Entremuralhas 2015

Setembro já se instalou, anunciando no calendário que algum Outono chegará, mas entretanto, ao sol tórrido do fim de Verão, espraiam-se já as memórias do último Entremuralhas, no castelo de Leiria. Mais um ano, mais um festival, como o conhecemos, sempre diferente dos outros todos, que se afundam em ninharias superficiais, quase sempre propriedade dos senhores do mercado, que parecem fazer criação de clientes à custa da prostituição musical. Aqui há sempre surpresas a soar em palco e isso não pode ser comprado por quaisquer magnatas do consumo – mesmo que, às vezes, o cartaz pareça extremamente diversificado como o foi neste ano de 2015.

Ao contrário dos cartazes de anos recentes, o Entremuralhas de 2015 apresentava uma variedade desafiadora – contrariamente à sempre generosa percentagem de bandas de dark e neo-folk, por vezes em detrimento do número de bandas góticas propriamente ditas, o cartaz deste ano propunha um ecletismo assinalável. Talvez dessa diversidade nascesse um certo espírito de agitação saudável que pontuou o ambiente dentro do castelo durante o último fim-de-semana de Agosto. De resto, e com as sucessivas e bem-sucedidas edições, o público do Entremuralhas foi-se fidelizando, perpassando gostos pessoais, alargando a sua abrangência a núcleos geográficos cada vez mais presentes de ano para ano. Com setores do público falando inglês, espanhol, francês, alemão, italiano, norueguês, e até russo, era de esperar três dias de confraternização internacional, tanto nos terreiros como nos palcos.
A primeira noite do festival, normalmente mais curta, a funcionar quase sempre como aperitivo, teve este ano um pouco mais de tempo de antena, mais protagonismo, tendo a Fade In dado um exemplo de coragem ao trazer de volta a figura no mínimo excêntrica da britânica LENE LOVICH, antiga estrela do pop new wave, vagamente inspiradora e instigadora do proto gótico, imagem que no alegre espírito de 1979, esse ano maravilhoso que tornou o punk inteiramente recuperado pelo sistema, ainda não era mais que uma vaga referência de curiosidade de feira de diversões. A abrir a noite de 27, os portugueses PHANTOM VISION deram o mote para a verdadeira essência gothic rock do festival Entremuralhas. Revisitar com classe, com imaginação e visível domínio musical a tradição iniciada há mais de 30 anos pela explosão britânica do género, é obra de igual coragem. Atuação totalmente à vontade do grupo português, boa aceitação por parte do público que estava entusiasta e sempre pronto para dar largas à sua animação.     
De seguida entrou, de imediato na liça, a italiana TYING TIFFANY; sem grandes artefactos cénicos, o que não significa ausência de presença em cena, assim como energia e competência a toda a prova, TYING TIFFANY, com o seu electro-pop gótico, animou as centenas de pessoas frente ao palco, preparando-as para a euforia da LENE LOVICH BAND.

Veterana do pós-punk britânico, LENE LOVICH atingiu a idade supostamente adequada à reforma, mas isso não é argumento válido na sua visão das coisas. Divertida, comunicativa e performer a 100%, LOVICH revisitou durante mais de uma hora os seus hits dos anos 80, garantindo uma boa justificação para uma parcela substancial do preço do passe de entrada para os três dias do Entremuralhas. Por momentos fomos transportados nas asas do som aos tempos em que a cantora britânica estava presente várias vezes ao dia nas estações nacionais e locais de rádio deste país atlântico. Graças à popularidade dos programas de autor em que figurava, a sua fama por cá catapultou-se para níveis impensáveis na altura, e este terá sido sem dúvida um dos melhores mercados de LENE LOVICH. Volvidos 35 anos, a juventude de origem e idade variada presente neste regresso, retribui-lhe parte dessa mesma glória passada. Musicalmente, o seu fairground gothic-pop esteve bem enquadrado no espírito desta primeira noite do festival, e terá sido no mínimo um fenómeno curioso de assistir, ver os que eram maioritariamente filhos dos que a ouviam em 79, a trautear canções como “Bird”, “Lucky Number” e “Home”. Em suma, um reencontro geracional que não podia encerrar o primeiro dia do Entremuralhas de melhor maneira.
No cartaz para o segundo dia, o interesse do Café Europa residia sobretudo na presença dos britânicos 6th COMM do ex-Death in June e ex-Mother Destruction, PATRICK LEAGAS, sendo ele também a figura do festival com quem tínhamos agendada a única entrevista a realizar, já que dificilmente seria negociável uma entrevista formal com os eslovenos LAIBACH.
A segunda jornada do Entremuralhas começava com uma substituição – na impossibilidade da neozelandesa Jordan Reyne estar presente nesta edição, a entrada dos conimbricenses A JIGSAW, duo de folk intimista, com toadas folk norte-americanas na maior parte dos seus temas, não estando longe de Michael Gira, Lux Interna e King Dude, embora por vezes relembrando grupos europeus como Spiritual Front ou Rome. Foi com esta solidez toda que os A JIGSAW enfrentaram o, normalmente exigente mas receptivo, público que enche a nave das ruínas da Igreja da Pena, com um som límpido, acústico mas cheio de poder, pleno de intimidade da alma, invariavelmente arrancando da assistência troadas de palmas sentidas. Os A JIGSAW ficaram com a responsabilidade de uma substituição e isso significou aproveitar ao máximo a oportunidade de brilhar.
Em formato duo, os portugueses abriram com "Red Pony", canção retirada de “Like The Wolf” (registo de 2010), e apresentariam ao longo da sua set-list a compilação “No True Magic”, através de temas como "Them Fine Bullets",       "No True Magic", "Without The Prize" e "Hardly My Prayer". A segunda presença nacional neste cartel do Entremuralhas 2015 saldava-se então por outro polegar bem levantado, abrindo os portões para mais uma noite de boa música.
Quem iria encerrar os concertos desse dia na nave da Igreja da Pena seriam os alemães KELUAR. Depois de uma recente passagem por Portugal, os KELUAR entraram forte com "Instinct", tema do single retirado do mais recente ep, “Panguna”, o qual teve honras de destaque neste concerto, apresentando igualmente as restantes canções "Panguna" e "Volition". Num concerto demonstrador de competência e, porque não dizê-lo, espírito de festival, Sid Lamar e Alison Lewis garantiram um bom espetáculo que, para além do mais recente ep, apresentou também alguns temas de “Vitreum”, disco editado em junho do ano passado, e também do ep “Ennoa”, que assinalou a estreia do duo nos registos de estúdio. 
Sven, o agente de management dos 6th COMM tinha-nos prometido uma conversa de alguns minutos com PATRICK LEAGAS, um pouco antes do concerto, e durante as nossas deambulações pelo Castelo de Leiria, ao descermos pelas escadarias que ligam o terreiro da Igreja da Pena à entrada do castelo, encontrámos o próprio LEAGAS, que nos cumprimentou afavelmente mas que, para nossa imensa pena, nos referiu que a entrevista já não seria possível por falta de tempo.
Não só o atual duo tinha perdido algum tempo a chegar do hotel ao castelo, como também, segundo nos foi mais tarde revelado, o próprio PATRICK LEAGAS tinha sido atacado por um cão vadio, à entrada do castelo, incidente que deixou todos os envolvidos com uma estranha sensação, sendo esta a alegada última atuação dos 6th COMM, e curiosamente a primeira em Portugal, em 29 anos de existência do grupo que foi um rebento da matriz DiJ.

Mesmo assim, LEAGAS não declinou a hipótese de assinar alguns dos seus discos no final do concerto, o qual, malgrado todas estas contrariedades no dia da despedida dos 6th COMM, resultou num dos melhores espetáculos dados em Portugal até ao momento, pelos três elementos que fundaram os Death in June (para além de Patrick, o próprio Douglas Pearce que ficou com os Di6, e também Tony Wakeford, à frente dos Sol Invictus). A energia e concentração que LEAGAS evidencia em palco traduzem bem o seu profissionalismo, mesmo usando backing tracks no seu laptop, uma característica que continua ainda a custar a entrar na cabeça de alguns elementos do público português, cujas opiniões curiosas se tornam no mínimo risíveis, nomeadamente quando resumem o espetáculo dado pelos 6th COMM a um show de karaoke!
Reinterpretando, numa hora e pouco, os grandes sucessos do grupo, e apresentando-se como velhos sobreviventes dos anos 80 (apontando igualmente para alguns dos presentes como companheiros de estrada em matéria de idade), PATRICK e a sua atual companheira trouxeram de volta, com uma urgência quase atlética que hipnotizou emocionalmente o público, temas clássicos que já vinham dos tempos dos DiJ, como “Foretold”, “Born Again”, “Othila” e “The Calling”, só para citar alguns da obra prima “Nada!”, ainda na companhia de Douglas Pearce.
Sabendo que, alegadamente, este seria o derradeiro concerto dos 6th COMM enquanto tais, só se pode epitomar de Mágico todo este desfile de memórias, que corrobora a máxima literária de que os melhores livros são aqueles que nos dizem exatamente aquilo que já sabíamos, o mesmo se podendo aplicar ao adeus às armas dos 6th COMM no nosso país e nesse espaço simbólico que é o Castelo de Leiria.
Como não assistimos ao concerto dos MOTORAMA, registamos apenas a sua passagem pelo palco Alma, tendo o coletivo russo alcançado a admiração de muitos presentes com quem trocámos impressões.
OS [:SITD:], cabeças de cartaz do dia dois do Entremuralhas, foram os responsáveis por um concerto dinâmico e intenso, curiosamente motivando opiniões contrárias. O registo eletro-industrial não está para floreados e rendas góticas portanto, terá sido por isso que alguns elementos da assistência se tenham afastado inicialmente, e por assim dizer como graça, do moshpit. A abrir o Palco Corpo nessa noite, os [:SITD:] mobilizaram bem quem tem algumas costelas de industrial no corpo, independentemente de precisarem ou não ir buscar mais uma cerveja, ou mais uma deliciosa sandes de lombo ou simplesmente integrar as longas filas do WC. Não generalizando os pontos fracos do género ou mesmo os traços menos conseguidos do grupo, não se pode dizer que tenha sido sequer uma performance sofrível, e aqui é que reside veramente o lado positivo desta edição do Entremuralhas – obrigar os diferentes parti-pris a conceder aos outros géneros alguma atenção e valor, e para isso, já sabemos que não se tem necessariamente de estar encostado ao palco, a gritar ou a fazer mosh e outras actividades mais enérgicas que, como bem se sabe, e passe mais uma vez a tirada humorística, não costumam ter lugar neste festival.
O pressuposto da tolerância, presente no espírito deste festival, vai obviamente ao encontro da aceitação de opiniões diferentes, desde que devidamente comprovadas. Com isto, abre-se facilmente via aos consensos, e elimina-se definitivamente as irritantes clivagens opinativas, obstáculos frequentes à consagração dos diferentes eventos musicais no nosso país. Estas palavras servem de introdução à performance dos franceses IGORRR, estrelas da segunda noite e que fechavam naturalmente as atuações no palco Corpo, no grande terreiro de entrada do Castelo de Leiria. Musicalmente, os IGORRR valem o que são – um projeto interessante de fusão entre o electro-industrial extremo (a fazer lembrar aquele subgénero de metal digital acelerado que no final dos anos 90 assolou a Europa e ao qual os escribas de publicações respeitáveis como a Terrorizer apelidavam de Gabba), e puros momentos de inspiração gótica, nomeadamente pela voz da exuberante LAURE LE PRUNEREC e da impressionante figura teatral de LAURENT LUNOIR. A estreia dos IGORRR em Portugal, no Entremuralhas, motivava pelo menos bastante curiosidade, nalguns casos, e total ansiedade noutros, a julgar pela histeria colectiva que pareceu animar as hostes em frente ao palco.
Diz quem sabe que temas como "Scarlatti 2.0", retirado do álbum “Hallelujah” de 2012, assim como outros do ep “Maigre”, de 2014, a “Nostril” (de 2010), sem esquecer os grandes êxitos como "Pavor Nocturnus", "Excessive Funeral", "Infinite Loop", "Tendon" e "Tout Petit Moineau", ou o final com a fusão de "Half a Poney" e "Unpleadant Sonata" mostraram os IGORRR no seu melhor. Terá sido bastante lamentada a ausência de encore dos IGORRR, depois de um concerto marcado pela intensa interação de LAURE com o público das primeiras filas, mas GAUTIER SERRE e os seus esbirros não regressaram, de resto uma infeliz mas necessária constante nestas andanças do Entremuralhas, já que o tempo não perdoa e preside ao desfile dos acontecimentos, com mão de ferro.
Pessoalmente, junto da equipa do Café Europa, um momento muito interessante do festival, embora a banda nos pareça envolta nalgum hype mediático. E assim nascia um novo dia, o último do Entremuralhas 2015.

Para a derradeira jornada anunciavam-se para nós pelo menos três bons motivos de interesse – o regresso dos AND ALSO THE TREES, os dark-folkers alemães ART ABSCONs e mais uma vez em Portugal, os eslovenos LAIBACH, recém-chegados de duas datas na Coreia do Norte. Relativamente aos restantes elementos do cartaz de sábado 29, os seus nomes pouco nos diziam, como é óbvio, não obstante ainda acabámos agradavelmente surpreendidos. Como também já é hábito neste certame, as tendas de merchandising, concretamente as da Equilibrium Music de Lisboa, e a Bunker Store do Porto, continuaram este ano a ser motivo de alto interesse e provavelmente por causa delas, o staff do Café Europa acabou por perder os Ash Code e os A Dead Forest Index, sobretudo quando a conversa começa a virar para o Metal extremo e as memórias de Hellhammer, Bathory, Mercyful Fate, Venom e similares não param de afluir; relativamente aos AND ALSO THE TREES, nada há a referir em especial – o público mais idoso gostou de os rever e os mais novos receberam-nos com entusiasmo e respeito. Ficaram bem no Entremuralhas, que lhes conferiu uma certa aura de respeitabilidade por um grupo que se aguentou tantos anos sem vacilar e sem fazer desmesuradas concessões às exigências do marketing, que é como quem diz, dos trabalhadores do comércio. Se tivéssemos que fazer um paralelo com a edição passada do festival, talvez o efeito fosse quase semelhante ao conseguido pelos lendários The Legendary Pink Dots.
Restavam-nos três bandas, uma das quais por nós desconhecida e que teve honras de fechar o festival.

Relativamente aos dark-folkers germânicos ART ABSCONs, foi uma boa surpresa vê-los ao vivo; será quiçá em palco que a sua arte total e literalmente se revela. Canções misteriosas, compostas dentro de um género de folk neoclássico, cantadas por Grandmaster Abscon em alemão, e as quais receberam ovações entusiastas do público, com gente empoleirada nas ameias da torre de menagem do castelo, e uma vasta plateia no terreiro em frente ao palco Alma. A combinação da sonoridade trovadoresca das canções com alguns dos aspectos cénicos que caracterizam os ART ABSCONs, fizeram deste concerto um dos mais visuais e talvez o único que mais se enquadrou na tradição dark-folk a que o Entremuralhas, sendo um festival gótico, nos habituou.

A antecipação do concerto dos LAIBACH nem sequer se fez sentir muito; com a descida das hostes pelos caminhos que ligam o terreiro cimeiro ao principal, em baixo, onde está montado o palco Corpo, depressa se repetiram as cenas de animação e convívio que afinal de contas definem este festival. Conversas, reencontros, sandes, sopa e cervejas para todos, e no P.A., como Backdrop musical, os temas do disco electrónico-barroco-ambiental dos LAIBACH, “The Art of Fugue”, “Kunst der Fugue”, “A Arte da Fuga”, que muitos consideram ser meramente um disco de versões de J.S Bach. Alguns mais aventureiros, querendo encontrar um melhor spot para visionar o concerto, dispunham-se pelas encostas com árvores e arbustos que ladeiam o terreiro e o palco, como testemunhas emboscadas de um evento sem igual, alguns sentados na beira dum tronco cortado, outros nas saliências de partes de raízes de árvores, outros ainda procurando ingloriamente não escorregar sobre declives com ângulos de pouco mais de 90 graus, outros ainda tropeçando nas ditas raízes e estatelando-se na noite, na altura em que quem assistia das laterais cimeiras podia vislumbrar a progressiva afluência de gente para junto do palco, enquanto outros ainda se encontravam cativos das longas filas para as deliciosas sandes de lombo. Há alguém que se assusta e desequilibra, quase tombando sobre os que estavam sentados à frente, ao passar próximo desta equipa, no momento em que um de nós faz um movimento brusco com o braço – segundos depois é a namorada que escorrega e cai sobre a curta minissaia gótica. No mesmo segundo ecoa o hino da Eurovisão (e não o hino da Europa, como alguns mais jovens pensaram…), seguido de “Eurovision”, o ominoso tema de “Spectre”, último álbum dos LAIBACH – e de repente tudo que pudemos observar imediatamente antes, passa a fazer sentido, à luz das actualidades. Salve-se quem puder – “Europe is falling apart”.
Esta passagem dos LAIBACH pelo Entremuralhas, só por si equivale a uma chave de ouro, e não será apenas pela reinterpretação de clássicos como “Leben Heisst Leben” ou “Tanz Mit Laibach”, ou de “B Maschina” ou “Brat Moj” (este dos tempos primordiais do coletivo artístico oriundo da pequena cidade montanhesa de Trebovlje); com efeito, ao vivo os temas de “Spectre” ganham contornos mais definidos, mobilizando os nossos ouvidos e massa cinzenta para uma compreensão mais afinada, sendo disso bom exemplo o entusiasmo da turba ao acompanhar temas tão heterogéneos presentes em “Spectre”, como “The Whistleblowers”, “Bossanova”, “Love on the Beat” (original de Gainsbourg), mas também “Resistance is Futile”, o aterrador “No History” ou mesmo a fantástica cover de “See That My Grave Is Kept Clean”, velha gema do bluesman negro Blind Lemon Jefferson.
Mas os LAIBACH são um coletivo artístico cuja encarnação musical é essencialmente satírica e por isso a piada ditatorial de dividir o público em duas partes e pedir que respondam em uníssono aos oh-oh-oh e instruções pré-gravadas, pondo as centenas de pessoas a responder às ordens de uma máquina digital, é por assim dizer a cereja em cima do bolo do “tongue in cheek” totalitário. São líderes natos em quem não se pode confiar muito, na mesma medida em que também não o fazíamos com os Monty Python.
E porque já tínhamos posto de lado a hipótese de entrevistar os LAIBACH, já que a conversa planeada com PATRICK LEAGAS tinha redundado em frustração por falta de tempo do próprio, eis quando nos chega Júlio Rodrigo, nosso camarada do programa “concorrente” Arranca-Corações, com o scoop inesperado de ter registado uns minutos de conversa com um dos fundadores dos LAIBACH, o diplomático IVAN NOVAK, entrevista essa que num gesto de imensa generosidade e camaradagem, Júlio Rodrigo partilhou com o Café Europa e que poderão ouvir no podcast desta emissão. Na entrevista Júlio Rodrigo questiona IVAN NOVAK sobre temas atuais da vida dos LAIBACH, assim como sobre alguns aspectos para o futuro. O nosso “MUITO OBRIGADO” ao Júlio Rodrigo e ao programa Arranca Corações, e que este continue ainda por muitos mais anos.

Ainda emocionados por este arrasador terramoto musical, que até podia ter fechado a edição deste ano do Entremuralhas, constatámos que essas honras foram concedidas com justiça aos suecos AGENT SIDE GRINDER, um grupo dos arredores de Estocolmo que faz um interessante cruzamento de memórias do final dos anos 70 e início de 80 (Joy Division, Ultravox ainda com John Foxx, Magazine, ou até os melhores momentos dos Depeche Mode). Um encerramento de festividades adequado e que fechou elegantemente esta edição de 2015 do Festival Entremuralhas.
A programação de 2016 já está a ser preparada e resta-nos depositar a confiança de sempre no colectivo da Fade In, para que continue a alimentar esta ideia da melhor forma, continuando a garantir ao nosso país um dos seus melhores festivais de música a sério, e não para brincar. Até para o ano, no “mesmo campo de férias” !