domingo, 14 de Setembro de 2014

Café Europa Radio Show #132, 11-SET-2014 Interview w. Andrew King @ Entremuralhas'14

01. ERMO - "Sem titulo" (PT) (ermo e.p. - 2012)
02. ERMO - "Destronado" (PT) (ermo e.p. - 2012)
03. ERMO - "Pangloss" (PT) (vem por aqui - 2013)
04. DUO NOIR - "Have You News OfMy Boy Jack?" (GB) (sintra - 2010)
05. DUO NOIR ( (w. Paulo Rinhonha as speaker) - "Recessional" (GB/PT) (sintra - 2010)
06. ANDREW KING - "Interview w. Café Europa - Part 1"
07. ANDREW KING - "Cruel Lincoln"(GB)(the amfortas wound - 2003)
08. ANDREW KING - "Froleichen So Well Wir" (GB) (7" split w/blood axis - 2010)
09. THE TRIPLE TREE - "The Ghosts Of England" (GB) (ghosts - 2008)
10. ANDREW KING - "Interview w. Café Europa - Part 2"
11. ANDREW KING - "Corvus Terrae Terror" (GB) (deus ignotus - 2011)
12. ANDREW KING - "The Three Ravens" (GB) (deus ignotus - 2011)
13. ANDREW KING - "Judas" (GB) (deus ignotus - 2011)
14SIEBEN - "Vonnegut" (GB) (no less than all - 2011)
15. ROME - "Lullaby ForGeogie" (LUX) (a passage to rhodesia - 2014)
16. SPIRITUAL FRONT - "I Just Can't Have Nothing" (IT) (black hearts in black suits - 2013)
17. NAEVUS - "Beth Gellert" (GB) (others - 2013)
18. ONIRIC - "The Echoes Of The Sky" (IT) (cabaret syndrome - 2009)
19. DEATH IN JUNE - "All Pigs Must Die"(GB) (live in wien - 2012)
ANDREW KING w. CAFE EUROPA 
Café Europa com Andrew King
Lançámos a questão acerca da dificuldade inicial de qualificar os primórdios musicais de Andrew King, de forma a ser útil para os interessados na sua música. King rapidamente fez o retrato do passado, desde a sua estreia na compilação Aum, organizada por Tony Wakeford, com “The Hobby Horse on Mayday in Minehead”, e depois com a sua ligação a Andrew Trail, dos Knifeladder. Os tempos que dariam origem ao primeiro álbum, “The Bitter Harvest” tiveram lugar antes da explosão da banda larga e portanto as dificuldades em licenciar material tradicional da sua origem eram bastantes. A sua parceria com Trail levou-o ao conhecimento de outro elemento dos Knifeladder, Hunter Barr, encontrando assim a hipótese de gravar num estúdio, mesmo que limitado.
Na realidade, “The Bitter Harvest” foi gravado num velho 4-pistas de cassetes de crómio, com um som que obviamente traduz a rudimentaridade do processo. A World Serpent Distribution de David Gibson e Alan Trench não quis distribuir o álbum na altura e “The Bitter Harvest” acabou lançado e distribuído pela Epiphany. Poucas faixas foram alvo de multi-tracking ou de overdubs, pelo que no geral, King também o considera um disco fraco e incipiente. Há no entanto um valor intrínseco nesse trabalho, sobretudo na forma como a tradição oral é tingida de tons industriais, com drones intemporais que conduzem a uma intensa mostra de força. Mesmo assim os seus detratores consideram-no como um primeiro falhanço na afirmação definitiva do nome de Andrew King. Mas, numa visão retrospetiva, essas gravações hoje em dia, parecem fazer todo o sentido. King admite que não teria chegado até ao álbum seguinte, “The Amforta’s Wound”, sem todo esse caminho de aprendizagem. Teria sido melhor não o lançar? Nesse caso, teria sido de imediato reconhecido com um trabalho de calibre, já com algum conhecimento dos meandros das gravações e possivelmente teria tido a oportunidade de regressar a alguns temas de “The Bitter Harvest”.
A via musical de Andrew King cedo revelou habilidade para sintetizar o dark-folk tradicional e a veia mais industrial/ambiental, levando este cruzamento mais além que outros dos seus correligionários, como os Sol Invictus ou os Blood Axis. De certo modo, é uma afirmação de nunca estar disposto a imitar alguém e de seguir um caminho seu – teria sido esta também a sua motivação aquando da sua passagem pelas Belas Artes, ou nas suas palavras, pelas Artes Visuais?
Em Inglaterra, as artes visuais estão dominadas pelo marketing, não importando se se é bom ou mau, o que interessa é o que se pode fazer para melhor se vender. Andrew King passou por uma escola superior de artes muito conceptual que visava levar os seus alunos a pertencerem ao que se denominou Brit Art, mas a qual falhava no ponto de indicar o modo como o artista se deveria inserir no mercado, daí julgar que o meio musical é mais honesto que o da arte visual. 

ANDREW KING @ Entremuralhas'14
Em relação aos Estados Unidos, onde Andrew King realizou duas exposições a solo, concluiu que não são tão condicionadores das artes visuais, no sentido em que aceitam os artistas que acreditam no que estão criando. O lado negativo é que se trata de um mercado antiquado e de que o valor de algo pintado depende muito de ser a preto e branco ou a cores, ou de ser grande ou pequeno. E uma vez que ele produz peças pequenas e a preto e branco, isso tornou-se um problema e tornou-se caro fazer a própria exposição; nas Ilhas Britânicas, a sua arte simplesmente não encaixou. Daí que se tenha focado na música, porque aí pelo menos as pessoas querem saber o que se está a passar. Felizmente que o livro sobre as suas pinturas veio criar de novo algum interesse, mas mesmo isso não lhe terá renovado as esperanças de ser reconhecido nos meios das artes visuais. 
Para o leigo, vagamente interessado nos mestres da pintura como Bosch, William Blake ou Edvard Munch, é possível encontrar pontos de referência. Será Andrew King, enquanto artista, capaz de reconhecê-las e usá-las como motivação estética, ou de certa forma, como processo alquímico que iluminaria os caminhos desse mundo simbólico que expressou. Com efeito, King admite que ambas hipóteses são verdadeiras e o mesmo se aplica à música. O processo pode durar semanas ou anos; as coisas não acontecem assim da noite para o dia. As influências circulam em ambos os meios de expressão e sente-se por isso muito contente por as reconhecer. Evita contudo ser demasiado óbvio, a menos que seja por pontos específicos que tenham ou devam ser assumidos.
Quisemos ainda questionar Andrew King sobre a sua tendência monocromática nas pinturas que incluiu no livro “Emblematic Paintings”. Caso para dizer que por vezes criados efeitos luminosos que parecem sugerir cores pastel por entre os traços. King ri-se e afirma que são predominantemente escalas de cinzento, sombreadas. No entanto, não se coíbe de referir a pintura que veio a ser a capa do álbum “The Amfortas’ Wound” – enquanto usava um “xis-ato” no manuseamento das tintas, cortou-se e algumas gotas de sangue espalharam-se no centro do quadro. Pensando que isso era algo predestinado a acontecer, deixou-as ficar, tendo-se tornado depois acastanhadas. Tudo por acidente.                       

ANDREW KING @ Entremuralhas'14
Mudando de assunto, focámos de seguida a nossa conversa nas várias colaborações que Andrew King desenvolveu desde 1998; algumas com bandas líderes do movimento Neo-Folk, mas outras também menos ortodoxas como os franceses Les Sentiers Conflictuels e os britânicos Brown Sierra. Tal rácio de colaborações é digno do Guiness Book Of Records. Quisemos saber com essas colaborações tomaram forma – em estúdio ou simplesmente através das facilidades da internet. No que diz respeito ao disco “1888” com os Les Sentiers Conflictuels, Andrew e Philippe nunca se tinham visto e isso não foi planeado, foi apenas o decurso natural dos factos. A troca de registos aconteceu durante os primórdios da banda larga e a quase totalidade da música desse álbum é da autoria do francês; King só vocalizou e deu sugestões de acabamentos estéticos, nomeadamente no uso de gravações de época, feitas ainda nos cilindros de cera inventados por Thomas Edison. Andrew King gostaria de levar ao palco o álbum “1888”, tal como aconteceu com “Absinthe” dos Les Joyaux De La Princesse com os Blood Axis, mas esse tem sido um plano já com alguns anos e ainda não houve oportunidade para tal, sendo um registo em tudo semelhante e propício a um acontecimento ao vivo, embora não haja qualquer certeza de que acontecerá. Aliás, a referência a este estranho mas marcante álbum suscita a nossa próxima questão: sendo King um nome ligado ao Dark-Folk novo-tradicionalista nunca teve problemas em usar abundantemente drones industriais como pano de fundo. Nesse caso até que ponto o ruído gerado eletronicamente se poderá misturar com uma visão neotradicionalista do Mundo? King diz que tudo depende – as canções acompanham o ritmo e a métrica da língua em que estão escritas, e no seu caso isso não lhe permite construir uma canção baseada em batidas repetitivas. Salienta o caso de “Judas” do álbum “Deus Ignotus“ que considera algo repetitivo, mas na qual consegue tecer uma narrativa à sua volta. Para si, qualquer tipo de eletrónica constrange o texto e isso ele evita-o. O texto tem que ser supremo. Daí que, sim, estabelece limites para aquilo que é simplesmente incompatível, algo que por vezes só se vem a saber já dentro estúdio. Nesse pé, seria então possível que, ainda que remotamente, as texturas ruidosas de nomes clássicos como Throbbing Gristle ou SPK (dos quais fez parte o próprio John Murphy, que acompanha King ao vivo) pudessem de algum modo tê-lo influenciado? Obviamente, o conceito de que musicalmente, qualquer coisa há de funcionar, foi muitíssimo libertador para a sua geração, e ter alguém como Murphy a tocar tambores para si representa um largo bocado da história. O potencial musical de um baterista como John Murphy tem por vezes de ser refreado e é por isso que lhe lembra que em certos momentos menos é mais. Se Murphy usasse sempre toda a sua versatilidade rítmica, acabaria por distraí-lo ao vivo. Nalgumas peças como em “The Stripping of the Altars” em que não há um ritmo específico, e outras com sonoridade mais abstrata, essa questão não se põe, mas nos temas com o harmónio em que um certo ritmo que ser mantido tem que lhe exigir que toque menos, o que é de facto um tremendo desperdício, para tão grande músico. Mas ele compreende como as coisas funcionam. Quando fizeram a digressão com os Blood Axis, John Murphy tocava nos dois sets, e os Blood Axis deixavam-no soltar-se, improvisar, o que o levava a pensar que não usufruía o suficiente dos seus préstimos enquanto músico. Andrew King não se vê como um músico, mas antes como um vocalista. Alguém que canta, e se permitisse que John Murphy soltasse toda a sua garra, acabaria por desconcentrá-lo.
Foi preciso esperar cinco anos para lançar o segundo álbum “Amfortas’ Wound”; será esta a derradeira afirmação da qualidade sobre a quantidade? Habituar os ouvintes a longos intervalos entre lançamentos de discos de originais? Obviamente que ficou contente com o som desse álbum, ao passo que, como virmos o primeiro era ainda um disco de aprendizagem. Havia uma audiência que visivelmente respeitava esse segundo álbum. O neo-folk tornou-se um género muito abrangente, sem fazer crítica a isso, mas muitas bandas o que fazem são canções simples e acústicas. Daí que King ficasse feliz por trazer um pouco do seu conhecimento académico especializado para dentro da cena, e por as pessoas ficarem interessadas, o que lhe custou um pouco, dado que certos invejosos lhe levantaram problemas para trazer esse input para a cena. Quanto à exigência que deriva dos intervalos entre lançamentos, existe de facto uma preocupação com o controlo de qualidade, e se isso implica longos períodos de tempo, que assim seja. O espaço entre “ The Bitter Harvest” e “Amfortas’ Wound” resulta também de um período de convalescença de um problema de saúde; os oito anos que medeiam entre aquele e “Deus Ignotus”, foi porque ao longo dos anos houve outras gravações, e porque alguns dos seus trabalhos têm uma direção específica, dá-se à liberdade de deixar as canções desenvolverem-se como que organicamente, e se isso implica 6, 7, 8 anos, então que assim seja.                                 
O tempo será por isso uma ferramenta para deixar as canções apurarem, mas algumas gravações intermédias foram relativamente rápidas, porque havia razões externas que assim o ditaram, por exemplo o CD a meias com os Changes, na editora nacional Terra Fria, ou até mesmo o mini LP de 10 polegadas. Mas regra geral gosta de fazer os seus trabalhos o melhor que pode e, com “Deus Ignotus”, foi esse o caso. Quanto ao próximo, “The Tower of Pride”, sobre a Primeira Guerra Mundial, os seus planos são mesmo lançá-lo ainda em 2014. Mas há sempre questões de logística; um dos temas terá a participação dum amigo que executará uma peça num órgão de catedral anglicana na Índia, onde se encontra a viver, e tudo isto leva tempo a preparar. A versão de “Recessional” que há-de aparecer em “The Tower of Pride” vai implicar a participação vocal de 20 pessoas diferentes, de vários países e até ao momento ainda lhe faltam algumas partes. A feitura de “The Tower of Pride” implicou pesquisas acerca dos célebres poemas sobre a Primeira Guerra; alguns deles estavam excluídos à priori, mas outros tinham necessariamente de aí figurar, por diversas razões. Depois foi preciso planear a forma como os temas seriam feitos, algumas só canções simples, como “Army of Mercenaries”, outras mais abstratas, como “The Stripping of the Altars”, outras ainda são exatamente gravações ambientais de campo. Haverá algumas peças mais “ruídistas”, mas tudo isto leva Andrew King a racionalizar que o próximo disco de originais poderá eventualmente sair em 2015 e já não este ano.
Falando depois sobre a sua longa permanência nos Sol Invictus, como convidado especial, é significativo saber um pouco mais sobre esta sua experiência; King sempre assumiu que os Sol Invictus são a banda de Tony Wakeford e que sempre que ele não quer trabalhar mais com alguém, é assunto seu. Mas o que lamenta mais na sua estadia de mais de cinco anos com os Sol INvictus é o facto de não ter sido feito um álbum à maneira mais tradicional do grupo, admitindo que a sua última participação em The Cruellest Month o deixou algo insatisfeito. Ainda por mais, a editora Prophecy insistiu na organização da caixa retrospetiva dos álbuns iniciais e que não se envolveria no lançamento de material novo, antes do boxset estar pronto. Em temas como Cruel Lincoln e Edward, ainda tentou essa via mas o material seguinte já se afastou de novo da orientação tradicional.
Falando ainda de colaborações, é de sublinhar o carácter de quase hit-single que o 7” split com os Blood Axis alcançou há uns anos atrás, o qual, inclusive, já se encontra esgotado há muito. Modestamente, King assume que o sucesso se deve ao tema dos Blood Axis, “The Dream”, e não ao seu. A ideia foi sugerida por Annabel Lee, e logo houve concordância, pelo facto de ambos estarem à altura a trabalhar em poemas medievais alemães, dos chamados Minnesänger, para os respetivos álbuns em progresso. Como não há muita gente que honestamente os fossem capazes de reproduzir, achou-se boa ideia dar-lhes uma mistura diferente e lançá-los em single. Mas não havia material semelhante suficiente nem para um mini álbum, dado que os temas eram partes integrantes de dois álbuns diferentes. Os temas medievais alemães não assim tão conhecidos pelo público folk britânico. Para além disso, assumem uma musicalidade algo difícil que se pode tornar aborrecida, estando constantemente sob a tutela do trabalho académico que impõe regras estritas sobre como devem ser interpretadas; já a poesia tardia da Idade Média germânica é bem mais interessante e vivaz, mais na linhagem trovadoresca. Daí ele ter arriscado na interpretação em Alemão Antigo, com a ajuda de amigos austríacos. Tê-lo-ia preocupado mais se fosse em Francês ou Italiano, embora tivesse já participado com os Àrnica, para o qual contou com ajudinha da esposa que é catalã.“Deus Ignotus” terá sido definitivamente o seu trabalho mais completo, não só ao nível literário, mas também em matéria de qualidade de som, pese embora ter saído em 2011; tem soado como um disco crescente ou mesmo permanente nos leitores de CD dos seus admiradores. Andrew King faz o rappel do andamento das gravações que conduziram ao seu terceiro trabalho de longa duração. “The Three Ravens” foi parcialmente gravado com John Murphy, há já alguns a
ANDREW KING w. CAFE EUROPA
nos, mas com a inclusão ou adição de outras variantes de percussão, o tema seria facilmente uma peça de abertura; depois gastou algum tempo com o manuscrito de “Judas”, o qual tinha a certeza de incluir no álbum, e ainda algumas outras peças. Por exemplo, “Lord Lovel” é a gravação mais antiga presente em “Deus Ignotus” – é do período de “Amfortas’ Wound”. No entanto, como foi um muito bom take, King decidiu usá-lo. O texto de David Jones, “In Upper Room” era mais outro tema na sua cabeça, e ao qual mais tarde deu acabamento, mas custou-lhe uma fortuna em direitos; ao contrário de outros autores cujos representantes tinham generosamente cedido autorização graciosa, a Faber & Faber pratica preços de copyrights que são autênticos rombos no orçamento, e pagar cerca de 500 libras para interpretar e imprimir um texto num álbum não está ao alcance de todos. No entanto, King relembra o episódio do contrato que chegou com um preço inflacionado de £850,00, mas que num smallprint do recibo ainda trazia o preço anterior. Daí à negociação foi pelo menos um passo saboroso de o feitiço se virar contra o feiticeiro, e a Faber & Faber cedeu nos seus propósitos quase dignos da usura medieval. De resto fica o aviso para os admiradores, “The Tower of Pride” ao incluir textos cujos direitos de autor são igualmente proibitivos, não irá incluir folha de líricas, embora sejam referidos os títulos e respetivos autores. Como remate desta reveladora conversa com Andrew King, e numa nota final que de rodapé tem pouco, ficaram as palavras do seu apreço pelo Festival Entremuralhas e pelo Castelo de Leiria que só então descobria e onde nos brindou com um espetáculo inesquecível, mau grado uns insignificantes problemas de som ao início. 

ONIRIC @ Entremuralhas'14

ONIRIC @ Entremuralhas'14







quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Café Europa Radio Show #131, 04-SET-2014

01. AMPS FOR CHRIST - "Earth Is Spinning" (USA) (canyons cars and crows - 2014)
02. MICHAEL GIRA - "Mosquito Coast" (USA) (solo recordings at home - 2001)
03. CURRENT 93 - "My Name Is Nearly All That's Left I" (GB) (my name is nearly all that's left - 2014)
04. CURRENT 93 - "My Name Is Nearly All That's Left II" (GB) (my name is nearly all that's left - 2014)
05. BLIXA BARGELD & TEHO TEARDO - "A Quiet Life" (GER /IT) (still smiling - 2013)
06. KING DUDE - "Pagan Eyes Over German Skies" (USA) (pagan eyes over german skies 7" w, urfaust - 2013)
07. MACK MURPHY & THE INMATES - "Broken Hour Glass" (LUX) (summer's cemetery dawns - 2004)
08. A CHALLENGE OF HONOUR - "London's Burning" (NED) (taken by the flames - 2014)
09. LAIBACH - "WarszawskieDzieci" (SLO) (1 VIII 1944 warszawa e.p. - 2014)
10. LAIBACH - "March DirNichtsDaraus" (SLO) (1 VIII 1944 warszawa e.p. - 2014)
11. NIEMANDSVATER - "Sturmzeit" (GER) (zeitenlos - 2012)
12. TRAUM'ER LEBEN - "Quo Vadis - SchoeneZeit" (GER) (…was wirdbleiben? - 2014)
13. ÀRNICA - "Gigante Despierto" (ESP) (lecho de piedra - 2014)
14. ÀRNICA - "CaminandoHacia El Sol" (ESP) (lecho de piedra - 2014)
15. KELTIKA HISPANNA - "Trikantam Entor-Kue Toutam" (ESP) (v.a. raiz iberica - 2014)
16. ALLERSEELEN - "Allerseelen"(AUT) (hallstatt - 2007)
17. ANDREW KING - "The Knight Templar's Dream" (GB) (the amfortas wound - 2003)
LAIBACH

DAVID TIBET - CURRENT 93
Photos: A.F.

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Café Europa Radio Show #130, 14-AGO-2014 Antevisão FADEIN-FESTIVAL ENTREMURALHAS 2014





Uma vez mais o Café Europa estará presente e recomenda a todos o melhor Festival de Música em Terras Lusas.

Entre os dias 28 (quinta) e 30 (sábado) de Agosto a Associação Cultural Fadein realiza a quinta edição do Festival Gótico Entremuralhas no Castelo de Leiria.  

O Cartaz desta edição, tal como a FADEIN nos tem habituado, é imperdível, ora confirmem:

01. ERMO - "Destornado" (PT) (ermo e.p. - 2012)
02. ERMO - "Macau" (PT) (vem por aqui - 2013)
03. UNI FORM - "Walking On A Fire Line" (PT) (1984 - 2012)
04. ICE AGE - "Jackie" (DIN) (to the comrades sg.- 2013)
05. ANDREW KING - "Maria Martin" (GB) (the bitter harvest - 1998)
06. ANDREW KING - "Cruel Lincoln" (GB) (the amfortas wound - 2003)
07. NÖI KABÁT - "I Corrode" (GB) ( i corrode/seeds of time k7 - 2012)
08. ONIRIC - "Blessing" (ITA) (cabaret syndrome - 2009)
09. ONIRIC - "Tomorrow The Sorrow" (ITA) (mannequins - 2013)
10. PARZIVAL - "Deus Nobiscum" (RUS/DIN) (deus nobiscum - 2006)
11. HOLOGRAMS - "ABC City" (SWE) (holograms - 2012)
12. AESTHETIC PERFECTION - "The Siren" (USA) (a violent emotion - 2008)
13. ALLERSEELEN - "Ó Coração Meu" (AUT) (barco do vinho - 2005)
14. ALLERSEELEN - "Sonne Golthi-Ade" (AUT) (edelweiss - 2005)
15. ALLERSEELEN - "In Vino Veritas" (AUT) (barco do vinho - 2005)
16. ALLERSEELEN - "Mit Fester Hand" (AUT) (v.a. mit fester hand - 2011)
17. SHE PAST AWAY - "Sanri" (TUR) (belirdi gece - 2013)
18. DARKWOOD - "Forgotten Beauty" (GER) (the final hour - 2003)
19. DARKWOOD - "Broken Wing" (GER) (schicksalsfahrt - 2013)
20. THE LEGENDARY PINK DOTS - "I Love You in Your Tragic Beauty" (GB/NED) (i did not inhale - 2003)
21. THE LEGENDARY PINK DOTS - "Tower 3" (GB/NED) (the tower - 1984)
22. O. CHILDREN - "Radio Waves" (GB) (o children - 2010)
23. O. CHILDREN - "Ruins" (GB) (o children - 2010)
24. HOCICO - "Odio En El Alma" (MEX) (odio bajo el alma - 1997)

ERMO

(portugal | darkwave, electrónica-ritual | 22h00)
Há muito que tínhamos dado conta disso: os bracarenses ERMO são uma das pérolas mais fascinantes da música que se faz em Portugal. Não estranhámos, por isso, quando observámos, com natural satisfação, que o seu primeiro álbum, “Vem Por Aqui” (2013 – Optimus Discos), constava no topo das listas de eleição de algumas das mais reputadas publicações nacionais. A nossa admiração pelos ERMO já vinha aquando da edição do seu EP de estreia em 2012. António Costa (voz) e Bernardo Barbosa (electrónica) são os timoneiros desta aventura sonora fascinante, obreiros de algumas das peças mais brilhantemente negras (passe a deliberada antítese) do cancioneiro contemporâneo português. O sentimento universal que se afere na sua música é tão transversal que nem o facto de se expressarem na língua mãe os impediu de experimentar uma bem-sucedida digressão por Espanha, França e Inglaterra. Ao vivo, os ERMO são de uma intensidade fora do comum, mercê, sobretudo, da presença ritualística de António Costa, cuja voz, muito particular, mais parece ser o espelho da alma de uma nação inteira. A nossa.

UNI FORM

(portugal | post-punk, indie-rock | 23h00)
Os UNI FORM são uma das bandas independentes portuguesas mais internacionais da actualidade. No seu currículo ostentam uma invejável lista de concertos, com passagem por alguns dos palcos mais apetecíveis da Europa [Razzmatazz (Barcelona) ou Gotik Wave Treffen (Leipzig)], e ainda primeiras partes de nomes tão sonantes como She Wants Revenge (Lisboa e Porto), O. Children (Bruxelas), Peter Murphy (Coliseu do Recreios, Lisboa), Mesh (Arena, Madrid) ou Peter Hook And The Light (no CCB, em Lisboa). Os UNI FORM, que apresentam um número impressionante de cuidados videoclips, têm nos seus dois álbuns (“Mirrors” de 2010 e “1984” de 2012) um conjunto de temas monocromáticos de grande eficiência post-punk onde, com naturalidade, podemos encontrar resquícios de algumas das bandas que, assumidamente, mais influenciam o colectivo lisboeta: Joy Division, The Cure, Bauhaus, Pixies ou Depeche Mode. Ao que tudo indica, a actuação no festival Entremuralhas terá como base novo disco e show. Será um privilégio para todos os que os presenciarem, pois é ao vivo que o potencial de David Francisco, Nuno Francisco, Billy e Miguel Moreira é revelado a toda a escala.

ICEAGE

(dinamarca | post-punk, punk | 00h00)
Os dinamarqueses ICEAGE têm dois álbuns [“New Brigade” (de 2011) e “You’re Nothing” (de 2013)] que constaram nas listas de melhores discos dos respectivos anos de edição, fazendo deles os “meninos queridos” do reputado e influente site de referência mundial, Pitchfork. A sua música punk, esquizofrenicamente negra, contém elementos que vão do puro hardcore “in your face” à nebulosidade e monocronismo do gótico, notando-se também uma vincada costela pós-punk de ritmo e baixo vibrantes. O resultado é explosivo, embora o efeito das suas curtas mas incisivas canções rock possam não ser percepcionados apenas com uma mera audição. A forma peculiarmente “desafinada” de cantar do vocalista e guitarrista Elias Bender Rønnenfelt que, entre outros, também pertence aos muito recomendáveis Vår, remete os ICEAGE para o universo de uns The Birthday Party ao dobro da velocidade e com pedigree “do-it-yourself”. Além disso, o seu maneirismo em palco contém algo de Ian Curtis, Nick Cave ou Henry Rollins! A banda inclui ainda o guitarrista Johan Surrballe Wieth (cuja tatuagem dos Death In June ajudou a criar uma certa, e obviamente inusitada, polémica em torno do grupo), o baixista Jakob Tvilling Pless e o baterista Dan Kjær Nielsen. Mas é ao vivo que os ICEAGE mostram o seu verdadeiro fulgor (foram indiscutivelmente um dos nomes que levou o público ao rubro na edição do Paredes de Coura 2013) sendo por isso, e muito naturalmente, também um dos grandes atractivos do Entremuralhas 2014.

ANDREW KING
(inglaterra | neofolk, martial | 18h00)
Activista, trovador, artista plástico e estudioso do legado cancioneiro tradicional britânico, ANDREW KING é uma figura que apaixona, quer pela sua particular forma de se expressar, quer pelo cuidado com que apruma todo o seu trabalho musical. Para se ter uma ideia, basta que atentemos ao seu mais recente álbum, “Deus Ignotus”, um disco que levou 9 anos a compor e que tem em “Judas” ou “The Three Ravens” verdadeiras obras-primas. A voz extraordinariamente peculiar de ANDREW KING (onde nem sequer faltam incríveis deambulações narrativas acapela) e a sua pronúncia britânica acentuada, são outras das suas imagens de marca. King, que fez parte de Duo Noir (com Tony Wakeford) e tem discos e colaborações com Changes, Sol Invictus, Brown Sierra, Rose Rovine E Amanti ou Blood Axis, apresentar-se-á no palco da Igreja da Pena acompanhado por Hunter Barr (Naevus) e John Murphy (KnifeLadder, SPK). Imperdível!

NÖI KABÁT

(inglaterra | new wave, electro-minimal | 19h00) 
Formados por Dee Rüsche (voz e metais), Owen Pratt (sintetizadores) e Jonas Ranssøn (bateria), os londrinos NÖI KABÁT (nome húngaro para “casaco feminino”) são uma das apostas-surpresa que a Fade In reservou para a quinta edição do Entremuralhas. A sua música de toada electrónica, toda ela produzida analogicamente, sem recurso a computadores, evoca reminiscências dos pioneiros da música industrial, da new wave e da EBM (Electronic Body Music). Mas é na voz de Dee Rüsche (uma espécie de David Bowie cruzado de Simon “Duran Duran” Le Bon) que os NÖI KABÁT fazem a diferença entre os demais, pois a suas estruturas musicais acabam por ganhar, estranhamente, um contorno de canção. Quando ouvimos temas como “Make Room! Make Room!”, “I Corrode” ou “Industry” somos embalados por um apelo romântico ao mesmo tempo que somos sugados por uma enorme força que nos obriga a movimentar. A igreja da Pena, será, mais uma vez, um “dancefloor” de eleição!

ONIRIC
(itália | cabaret/burlesque, chanson | 21h00) 
Os italianos ONIRIC formaram-se em 2005 por Carlo De Fillippo (teclas) e Gianpiero Timbro (voz, guitarra), dupla à qual, normalmente, se juntam ao vivo Simona Giusti (voz, guitarra acústica, tamborim, acordeão), Corrado Ciervo (violino, percussão) e Alessio Di Rubbo (baixo). Com dois brilhantes álbuns editados até à data (“Cabaret Syndrome” e “Mannequins” – ambos com selo da espanhola Caustic Records) os ONIRIC compõem belas e empolgantes canções que fazem plenamente jus ao nome da banda. O sentido onírico do grupo espelha-se bem na criatividade de temas como “Blessing”, “Ophelia’s Portrait”, “Nirvana (You Make Me Sick)”, “Requiem For A Soldier” ou “Un Gris Bord”, peças apelativas que nos induzem, muitas vezes, o universo dos seus conterrâneos Spiritual Front, ainda que, com uma toada cabaret/chanson mais vincada e cinematográfica. Os ONIRIC são uma banda de canções sofisticadas que nos seduzem logo aos acordes iniciais. Amor à primeira audição!
PARZIVAL
(rússia / dinamarca | panzer-pop, neoclássico | 22h30)
Colectivo russo sedeado há anos na Dinamarca, os PARZIVAL (inicialmente conhecidos como Stiff Miners) são uma banda fortemente influenciada pelos eslovenos Laibach. Os seus 7 álbuns editados até à data são autênticos compêndios de música bombástica e grandiosa, quase wagneriana, repleta de percussões reais e electrónicas, arranjos neo-clássicos com magistrais coros, sopros, sequenciadores e máquinas, e uma voz principal grave e fortemente teatralizada. O grupo, que se expressa quase exclusivamente em Alemão, preconiza um universo onde a disciplina e a determinação elevam a arte a um estádio de arquétipo moral capaz de ser arma de arremesso contra a natureza do caos e da degradação. Não é por isso de estranhar que o grupo se acerque de uma certa imagem militarista e bélica num misto de paródia e ironia, criando marchas e hinos, muitos deles dançáveis, com encriptadas mensagens inspiradas no cristianismo ortodoxo, no catolicismo romano, no sufismo tradicionalista, e no socialismo, como oposição ao capitalismo. Os PARZIVAL são agitadores de consciências, e isso faz deles uma banda que não deixa ninguém indiferente. Imperdível!
HOLOGRAMS
(suécia | punk, post-punk | 00h00)
Formados em Estocolmo, na suécia, por Andreas Lagerström, Anton Strandberg, Anton Spetze, e Filip Spetze, os HOLOGRAMS são a banda mais punk que o movimento post-punk viu nascer nos últimos anos. O grupo estreia-se em Portugal para um concerto exclusivo que “incendiará” o Palco Corpo do Castelo de Leiria, quando nele debitarem, por exemplo, um dos hits mais rodados no Beat Club – a pista de dança mais alternativa da cidade: “ABC City”. Este é daqueles temas que a multidão canta em uníssono, ao mesmo tempo que pula e salta freneticamente ao som apelativo do seu ritmo. Mas desengane-se quem possa pensa que o grupo se resume a um “one-hit-wonder”. Os HOLOGRAMS apresentam um conjunto de temas eficazes e, apesar da toada energética de riffs em riste, percebemos claramente que estamos perante um colectivo que constrói a sua sonoridade inspirada numa trilogia de respeito: The Fall, Joy Division (ou melhor, Warsaw) e The Cure. As letras, algo nihilistas, críticas e até obsessivas, conferem-lhes a toada ideal onde nem sequer falta um acentuado “british accent” para nos confundir sobre a sua verdadeira origem geográfica. Os seus dois discos, repletos de temas tão depressivamente excitantes como “Chasing My Mind”, “A Sacred State”, “Meditations”, “Ättestupa” ou “Fever”, trazem o selo actual da Captured Tracks, mas poderiam muito bem terem sido clássicos dos anos 80 editados pela criteriosa e visionária Factory Records… A este concerto ninguém vai falhar!

AESTHETIC PERFECTION
(estados unidos | electro-industrial, syntrock | 01h30)
De Los Angeles, chegam-nos os AESTHETIC PERFECTION, obra do às vezes polémico, sex-symbol e andrógino, Daniel Graves, um verdadeiro cidadão do mundo que esteja onde estiver está sempre pronto a demonstrar a sua criatividade. Os AESTHETIC PERFECTION apresentar-se-ão ao vivo, pela primeira vez em Portugal, trazendo na bagagem “Til Death”, um álbum que faz a cisão entre o passado puramente electro-industrial da banda e que abre uma nova frente estética ao terceto (Tim Van Horn, na bateria e Elliot Berlin nas teclas completam o line up) que se apresentará para fechar o Palco Corpo no segundo dia do Entremuralhas 2014. Os AESTHETIC PERFECTION, cuja videografia é impressionante (veja-se “The Dark Half”, “Big Bad Wolf”, “Antibody”, “Inhuman”, “Great Depression” ou “A Nice Place To Visit”) têm uma sonoridade contagiante, com elementos que nos remetem em doses equitativas tanto para bandas como Combichrist ou Marilyn Manson como para outras como Nine Inch Nail ou IAMX. Às vezes potentíssimos, outras vezes mais “synthpop”, mas sempre geniais e apelativos. Uma aposta cirúrgica da Fade In que ninguém deixará indiferente e que obrigará a banda a misturar a sua “nova” sonoridade com os seus clássicos mais “harsh” do passado. A não perder!
ALLERSEELEN
(áustria | krautfolk, pop-militarista | 18h00)
Formados em 1987 na sombra das montanhas austríacas, os ALLERSEELEN tornaram-se num dos nomes de maior culto da cena martial-industrial-folk da velha Europa. A sua reputação foi erigida à conta da sua sonoridade personalizada e das quase duas dezenas de álbuns editados até à data. Liderados por Gerhard Hallstatt (ao qual se juntam em palco a percussionista Christien H e a baixista Noreia), os ALLERSEELEN farão das ruinas da Igreja da Pena, no Castelo de Leiria, o local ideal para a sua prestação ao vivo. A sua música é uma mistura única de elementos folclóricos, electrónicos e industriais, originando estruturas repetitivas-minimalistas onde a voz discursiva de Hallstatt assenta na perfeição. Pop militarista? Folclore industrial? Krautfolk apocalíptico? Sim, tudo isso e muito mais. Hipnótico, apelativo e, por vezes, até dançável!

SHE PAST AWAY
(turquia | new wave, darkwave | 19h00)
Os turcos SHE PAST AWAY eram, sem margem para qualquer dúvida, um dos nomes mais requisitados entre a comunidade melómana que habitualmente frequenta o Entremuralhas. Formados em 2006, em Istanbul, por Volkan Caner e Idris Aknulut, os SHE PAST AWAY só precisaram do EP “Kasvetli Kutlama” e do álbum “Belirdi Gece” para se afirmarem como uma das mais importantes bandas da actual cena dark-wave/post-punk europeia. A sua música evoca, claramente, o espírito dos anos 80, onde nem sequer falta uma caixa de ritmos retro… O baixo marcado e uma voz grave conferem ao grupo uma sonoridade densa, mas é no facto de cantarem em turco que reside a magia e o mistério da sua ainda curta mas incisiva obra. Nota-se que o duo (que em palco se apresenta como trio) cresceu ao som de nomes como Joy Division, The Cure, Clan Of Xymox, Grauzone, Sisters Of Mercy ou DAF, bandas que os próprios SHE PAST AWAY assumem como maiores influências. A mística da Igreja da Pena vai ser redobrada quando entre as suas paredes soarem temas como “Ruh”, “Sanri”, “Bozbulanik” ou “Kemir Beni”. Imperdível!

DARKWOOD
(alemanha | neo-folk | 21h00)
Banda veterana da neo-folk europeia liderada desde sempre pelo talentoso músico e compositor Henryk Vogel (que no Palco Alma do Entremuralhas será acompanhado por três elementos), os DARKWOOD trilham, desde 1999, uma caminho poético, inspirado maioritariamente numa determinada arquitectura que perpetua, quer através de obras de arte quer através de uma certa memória colectiva, alguns do feitos históricos mais relevantes e marcantes da História do velho continente. Musicalmente, a neo-folk dos DARKWOOD distingue-se pela qualidade dos seus arranjos: guitarras dedilhadas de forma tranquila, melodias simples mas tocantes, vocalizações serenas e com sabor romântico envoltas em atmosferas onde se distinguem violino e violoncelo, e ainda uma subtil mas, por vezes, poderosa sessão rítmica. Os seus três mais recentes discos (“Notwendfeuer” de 2006, “In Dunkle Land” de 2009, e “Schicksalsfahrt” de 2013) colocam os DARKWOOD na linha da frente das bandas claramente mais aptas a compor canções que roçam a perfeição. Uma estreia que se ansiava há muito no nosso país!

THE LEGENDARY PINK DOTS
(inglaterra / holanda | folk-psicadélico, electro-trip poética | 22h30)
Sintetizar em tão poucas linhas a história e a importância dos THE LEGENDARY PINK DOTS em toda a música contemporânea é quase um sacrilégio. Formados em Inglaterra em 1980 e mudando para a Holanda pouco depois, esta influente e particular banda construiu em gigantesco e personalizado espólio musical, e é para a FADE IN uma verdadeira honra e privilégio juntá-la ao nosso já de si vasto e criterioso currículo. O quarteto tem duas figuras de proa que ainda são da formação original: Phil “The Silverman” Knight e o vocalista, letrista e compositor Edward Ka-Spel – nome absolutamente mítico no meio musical mais vanguardista. A música dos THE LEGENDARY PINK DOTS é altamente personalizada embora tenha, ao longo das décadas, experimentado diferentes incursões estéticas: folk-psicadélico, rock-industrial, post-punk e até jazz progressivo. Entre as suas mais de 170 edições discográficas podemos encontrar quase 50 álbuns, alguns dos quais verdadeiras obras-primas onde a poesia e voz inconfundíveis de Edward Ka-Spel (que também manteve a banda The Tear Garden com cEvin Key dos Skinny Puppy) se destacam pela singularidade e misticismo. Jim O’Rourke, Dresden Dolls ou MGMT são alguns dos nomes mais conhecidos que os citam como influência. Num cartaz repleto de qualidade, os THE LEGENDARY PINK DOTS acabam por ser, decididamente, as “estrelas” maiores do Entremuralhas 2014. Uma experiência para os sentidos e… para a Alma!

O. CHILDREN
(inglaterra | post-punk, indie-rock | 00h00)
Os britânicos O. CHILDREN fazem, finalmente, a sua estreia em Portugal. O grupo, que adoptou o nome de uma canção de Nick Cave, está sedeado em Londres e é formado por Tobi O’Kandi (voz), Andi Sleath (bateria), Gauthier Ajarrista (guitarra) e Harry James (baixo). Tobi O’Kandi é, aliás, a imagem de marca da banda, pois a sua voz grave transforma-o numa espécie de crooner barítono das trevas, capaz de provocar o mais agudo dos arrepios espinais com a mesma facilidade com que nos embala no mais aveludado e confortável dos sonhos. De resto, temas como “Dead Disco Dancer”, “Ruins”, “Radio Waves”, “Heels” (do álbum homónimo de estreia), “Holy Wood”, “I Know (You Love Me)”, “Chimera” ou “Red Like Fire” (do mais recente “Apneia”) provam que o post-punk contemporâneo não tem que ser só monocromático e bolorento. Neste particular, os O. CHILDREN estão, sem dívida, num campeonato de elite.

HOCICO
(méxico | electro-industrial, aggrotech | 01h30)
Os mexicanos HOCICO regressam, finalmente e 10 anos depois, a Portugal, e logo para encerrar a quinta edição do festival ENTREMURALHAS. Formados em 1993 (há 21 anos, portanto!) pelos primos Erk Aircrag (Erik Garcia de seu verdadeiro nome – letras e voz) e por Racso Agroyam (com registo de Oscar Mayorga no passaporte – programações e sintetizadores) os HOCICO são hoje uma das bandas mais importantes da cena electrónica industrial de todo o planeta. A sua música agressiva e repleta de imagens tipológicas negras, onde podemos também encontrar claras influências da EBM (Electronic Body Music), está registada em dezena e meia de álbuns que deram origem a alguns dos temas mais rodados das pistas de dança mais alternativas do universo. Quando, entre as muralhas da fortaleza gótica-medieval, soarem temas como “Fed Up”, “A Fatal Desire”, “Bite Me”, “Dog Eat Dog” ou “I Want To Go To Hell”, haverá muita gente a usar um dos chavões mais citados em Agosto: “É desta que o castelo vem abaixo!”. Não virá, certamente, mas que vai tremer, vai!